A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira Jairo Manuel da Silva Carvalho, diretor da empresa Corffaplan Empreendimentos Ltda, acusado de ser um dos responsáveis por aplicar golpes de financiamento de imóveis no Rio de Janeiro. Segundo a PF, a empresa atraía interessados em crédito para a compra da casa própria com anúncios em jornais e folhetos, mas não honrava o compromisso para a maioria dos que pagavam os carnês. A empresa usava o nome do Clube dos Oriundos da Reserva e Reformados das Forças Armadas (Corrfa) para ganhar credibilidade. Pelo menos 700 pessoas tiveram um prejuízo individual médio de R$ 10 mil.
Carvalho foi preso no início da manhã em casa, no bairro de Santíssimo, na zona oeste do Rio. Ele foi surpreendido enquanto dormia. A operação da PF, batizada de Canaã, foi deflagrada no fim da madrugada de hoje pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência da PF no Rio de Janeiro e mobilizou 50 agentes em nove pontos da região metropolitana.
Até o fim da tarde desta terça-feira, eles ainda tentavam prender o outro sócio, Mauro Lúcio Domingos, alvo do segundo mandado de prisão expedido pela 5° Vara Federal Criminal.
A Corrfaplan estava sob investigação da PF desde novembro do ano passado. Numa filial da empresa em Campo Grande, na zona oeste do Rio, foram encontrados cheques de clientes e apreendidos computadores. Na sede da empresa, no centro, agentes levaram documentos e disquetes. A maioria dos contratos é assinada por José Carvalho, irmão de Jairo, que se intitula diretor executivo.
Segundo o delegado que comandou a Operação Canaã, Antônio Elias Ordacgy Jr., ele não foi preso porque não consta do contrato social da empresa.
- Ele desligou-se da empresa, mas também é investigado. Todos tiveram os bens indisponíveis e o sigilo bancário quebrado - explicou o delegado.
- Suspeitamos de laços de parentesco entre dirigentes dessa empresa e do clube, mas não há nada concreto. Vamos continuar investigando para saber quem está por trás. Tudo indica que são laranjas. Não vai demorar para descobrirmos.
O inquérito apura crime contra o sistema financeiro nacional, já que a empresa não tinha autorização do Banco Central para operar. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) informou que o Corrfa, que prestava serviços como planos de previdência privada para militares da reserva e seus parentes foi liquidado em abril de 2002 e não tem relação com o Corrfaplan. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, a empresa provavelmente apropriou-se do nome para ganhar credibilidade.
Na sede da empresa, bonecos vestidos com fardas militares e brasões e escudos da República estampados em panfletos e contratos eram utilizados para ligar o financiamento às Forças Armadas. Esse argumento era utilizado abertamente pelos vendedores na abordagem dos interessados, mas a ligação foi negada pelo Ministério da Defesa.
O delegado da PF Jairo Silva, que comandou a busca nas duas salas que a empresa ocupa num edifício da Avenida Presidente Vargas, explicou que o esquema elegia um contemplado entre um grupo grande de lesados para legitimar o financiamento, que se expandia para o ramo de veículos.
- Os que recebiam o bem funcionavam como garotos-propaganda, apareciam em fotos com a chave da casa na mão, ajudando a convencer outras pessoas - contou. Numa das salas da empresa, foi encontrada uma foto do ex-comandante do Batalhão de Operações da Polícia Militar, Venâncio Moura, supostamente entregando uma chave para um policial militar.
Vítimas: Um escrivão da PF tomou um depoimento informal e cadastrou dezenas de vítimas do golpe que chegavam ao escritório. Uma das vítimas, o eletricitário Cláudio Alves dos Santos, de 35 anos, vendeu uma motocicleta para dar a entrada de R$ 2 mil e pagou, durante quase três anos, parcelas mensais de R$ 351. De acordo com seu contrato, ele teria direito a receber o crédito de R$ 40 mil no segundo ano
PF prende no Rio acusado de aplicar golpe da casa própria
Terça, 18 de Janeiro de 2005 às 16:38, por: CdB