A Polícia Federal começou na manhã desta quarta-feira a Operação Vênus para desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas emagrecedoras e na lavagem de dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos, em três Estados (Minas Gerais, São Paulo e Roraima), 11 mandados de prisão temporária e 16 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela Justiça Federal, da 4ª Vara Federal de Belo Horizonte (MG). As diligências contam ainda com a participação da Vigilância Sanitária Estadual de Minas Gerais.
A Operação Vênus desarticula a principal organização criminosa produtora das chamadas "pílulas brasileiras de emagrecimento", que viraram febre no mercado internacional, principalmente no americano, onde o kit de Emagrecesim, suficiente para uso durante 45 dias, custa acima de US$ 200. O crescimento das vendas das "pílulas brasileiras de emagrecimento" nos Estados Unidos tem chamado a atenção das autoridades sanitárias e policiais locais.
A Operação Vênus contou com trocas de informações entre a Polícia Federal e os órgãos americanos FDA (órgão sanitário federal) e DEA (órgão policial federal de combate ao tráfico de drogas).
A investigação, iniciada há 5 meses, foi realizada por policiais dederais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Superintendência Regional em Minas Gerais e da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Coordenação Geral de Repressão a Entorpecentes, juntamente com a Procuradoria da República em Minas Gerais, a partir de informações obtidas pela Polícia Federal e pela Superintendência de Vigilância Sanitária Estadual de Minas Gerais.
As informações mostravam a existência de um esquema de fabricação e exportação ilícitas do medicamento de nome comercial Emagrecesim, realizado sob a coordenação de um membro da quadrilha que se apresentava como empresária atuante nos ramos farmacêutico e de cosméticos, spas para emagrecimento, moda, arte e de jóias. O Emagrecesim seria ilegal pois não existe a devida autorização dos órgãos sanitários competentes, bem como ao fato do medicamento ser vendido como se fosse produto fitoterápico, 100% natural, quando, em realidade, conteria em sua composição substâncias psicotrópicas e anorexigenas, causadoras de dependência física e psíquica.
A operação, batizada de Vênus, faz alusão à deusa romana da beleza, já que os presos pertenciam a uma quadrilha que realizava a produção e exportação de medicamento ilícito, anunciado como verdadeira "fórmula milagrosa" para emagrecer, apto a garantir aos usuários a obtenção de um corpo perfeito.