A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira, 25 pessoas em Manaus, entre elas dois empresários e dez fiscais da delegacia regional do Ministério do Trabalho. A operação envolveu 120 agentes. Os presos participavam de um esquema de pagamento de propinas para que as empresas não fossem autuadas por irregularidades trabalhistas.
As investigações sobre o esquema começaram em setembro. A PF chegou a Manaus com 25 mandados de prisão e 40 autorizações para fazer buscas e apreensões. Todas as prisões foram feitas.
Em nota divulgada na tarde desta terça-feira, a PF informou que a "Operação Zaqueu" foi iniciada às 5h da manhã em Manaus, no Amazonas, e pode prender mais pessoas nas próximas horas. Segundo a PF, a operação teve como objetivo prender auditores fiscais do trabalho, empresários e intermediários acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
A operação reuniu policiais federais do Acre, de Rondônia, Roraima e Amapá, além de nove policiais do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (COT). O nome da operação é uma referência a um fiscal corrupto citado na Bíblia.
Esquema
As investigações concluíram que os auditores aplicavam pesadas multas aos empresários, denunciados por funcionários da própria empresa, que recebiam parte da propina paga pelas empresas. Após as "negociações", os fiscais baixavam o valor da multa e recebiam dinheiro dos empresários.
As investigações começaram há cerca de cinco meses, quando um dos empresários decidiu denunciar a extorsão. Antes do início da operação realizada hoje, a PF já havia colhido declarações e realizado filmagens que comprovavam o crime.
Foram apreendidos diversos documentos nas casas dos investigados, até R$ 84 mil em dinheiro. Também foram apreendidos carros e lanchas. A Justiça determinou indisponibilidade dos bens dos presos. As contas bancárias em que os valores foram depositados também já estão bloqueadas.