A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira, 12 pessoas, entre elas o empresário Altineu Pires Coutinho, pai do deputado estadual Altineu Côrtes, acusadas de fraudar licitações para prestação de serviços de lavanderia para hospitais do Rio de Janeiro e para a compra de insumos de retrovirais - principalmente do coquetel anti-aids - pelos laboratórios estaduais. Mais de 60 policiais participaram da operação Roupa Suja da PF, conjunta com o Ministério Público Federal, para cumprir 17 mandados de busca e apreensão na região metropolitana do Rio.
Altineu Pires Coutinho, dono de nove empresas que fornecem medicamentos para o Ministério da Saúde, estados e municípios, foi preso às 6h no seu apartamento, em Niterói, e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá.
A quadrilha é acusada de "lotear" a prestação de serviços na área de lavanderia para hospitais públicos do estado, e usar como sede o Sindicato das Empresas de Lavanderia do Estado do Rio (Sindilav). Os empresários acertariam previamente o resultado das licitações e os preços a serem apresentados, visando atingir um patamar mais alto do que se realmente houvesse uma concorrência.
O esquema era comandado pelo presidente do Sindilav, Gilberto da Silveira Côrrea, pelo lobista Antônio Augusto Menezes Teixeira e pelos empresários donos da Brasil Sul, Altineu Pires Coutinho, Altivo Gold Bittencourt Freitas, Marcelo Cortes Freitas Coutinho e José Otávio Qudsi Macedo. Os presos serão indiciados por formação de cartel, formação de quadrilha e fraude em licitação. Altineu Pires Coutinho e Vittorio Tedeschi serão indiciados também por lavagem de dinheiro.
Em São Paulo, foi preso o empresário Premanandam Modaphohala, dono das empresas AB Farmo Química e Aurobindo, e, em Goiás, o diretor da Indústrias Químicas do Estado de Goiás (IQUEGO), Darci Accorsi. Ambos acusados de envolvimento no esquema.
Em uma ação paralela, a PF e o MPF descobriram a existência de um grupo que fraudava licitações para compra de insumos para retrovirais. No alvo das investigações, estão as empresas Brasvit e Hallen Eliot, de propriedade de Vittorio Tedeschi, em sociedade com Altineu Pires Coutinho, o mesmo que atuava no cartel de lavanderias do Rio.
Segundo a PF, os gerentes da Brasvit, Flávio Garcia da Silva e Francisco Sampaio Vieira de Faria, que também era sócio da empresa, combinavam previamente os preços das licitações, de forma a impor um valor mais alto do que se conseguiria com uma concorrência legítima. O empresário Premanandam Modaphohala também participaria deste esquema. O grupo, que dominava o mercado de insumos para retrovirais, teria negociado com laboratórios estaduais, especialmente o Lafepe, de Pernambuco e o IQUEGO, de Goiás. As investigações revelaram que o diretor do IQUEGO, Darci Accorsi, recebeu vantagens indevidas para beneficiar a quadrilha.
As investigações mostram, ainda, segundo a PF, que Altineu Pires Coutinho e Vittorio Tedeschi mantêm contas irregulares no exterior. Ambos se valeram do esquema "Banestado" e dos serviços de doleiros para remeter ilegalmente os valores adquiridos com suas atividades ilícitas para o exterior.