A Polícia Federal prendeu 16 pessoas no Espírito Santo e outras três em São Paulo nesta segunda-feira, suspeitas de fazer parte de uma quadrilha de importação subfaturada de automóveis e mercadorias de alto luxo. Um dos investigados, um capixaba que está nos EUA, ainda será preso pelo FBI e deportado para o Brasil, segundo o Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES).
Só no último ano, a sonegação fiscal praticada pela organização criminosa resultou em um prejuízo aos cofres públicos de pelo menos R$ 7 milhões. As investigações apontaram que a fraude se dava com a participação de empresários brasileiros e estrangeiros, contadores, servidores públicos, advogados e corretores de câmbio.
A Operação Titanic está sendo realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Entre os crimes cometidos pela quadrilha estão corrupção de servidores públicos, contabilidade fictícia, inserção de informações falsas em contratos de câmbio com vistas a promover evasão de divisas, descaminho, lavagem de bens e capitais, corrupção passiva e tráfico de influência. Empresas situadas nos EUA e no Canadá também contribuíram para que a fraude fosse efetivada.
Organizada pelo empresário capixaba Adriano Mariano Scopel, dono da empresa Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda (uma das maiores importadoras de veículos de alto luxo do País), a quadrilha utilizava o Terminal Portuário de Peiú, na Região Metropolitana de Vitória, como pátio de negócios.
O detentor da exploração da concessão do terminal de Peiú é o pai de Adriano, o empresário Pedro Scopel, sócio do filho na Tag Importação e Exportação. Os dois estão presos na Superintendência da Polícia Federal, em São Torquato, Vila Velha.
Para escapar da fiscalização, a quadrilha conseguiu montar em torno de si uma espécie de escudo graças à concessão de vantagens ilícitas a servidores públicos, entre os quais estão quatro auditores fiscais da Receita Federal, três deles do Espírito Santo, e um servidor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a investigação, Adriano Scopel controlava todas as vertentes de atuação dos demais membros da quadrilha. Para a efetivação da fraude, ele se utilizava do corpo funcional da Tag Importação e Exportação, mas a organização criminosa também possuía ramificações no exterior e em diversos órgãos públicos brasileiros.
Adriano Scopel controlaria as compras dos automóveis e das mercadorias de luxo no exterior, a cotação de câmbio para a realização das operações, a cooptação de empresas responsáveis pela remessa de dinheiro ao exterior, a contabilização dos lucros e a distribuição de propina.
Para o Ministério Público Federal, a decretação da prisão temporária dos principais integrantes da quadrilha é fundamental para a completa elucidação dos fatos. A prisão temporária tem duração de cinco dias e serve principalmente para a oitiva dos investigados e para evitar qualquer movimentação que tumultue a coleta de provas.
PF prende 19 suspeitos de fraudar importação de carros
Segunda, 07 de Abril de 2008 às 08:50, por: CdB