Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

PF liberta trabalhadores e prende fazendeiro

O Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram, nesta segunda-feira, mais 49 trabalhadores - entre eles crianças, bebês e até uma mulher grávida - em situação análoga à escravidão na Fazenda Macaúba, no município de Marabá (PA).

Segunda, 16 de Fevereiro de 2004 às 15:05, por: CdB

O Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram, neste fim de semana, mais 49 trabalhadores - entre eles crianças, bebês e até uma mulher grávida - em situação análoga à escravidão na Fazenda Macaúba, no município de Marabá (PA).

A equipe, coordenada pela auditora fiscal Marinalva Cardoso Dantas e outros cinco auditores, trabalhou durante todo o domingo, até à 1h30 desta segunda-feira, para libertar todos que estavam mantidos no local. A PF prendeu em flagrante o proprietário da fazenda Macaúba, Altamir Soares da Costa.

Altamir é reincidente em crime ambiental - foram encontradas muitas árvores castanheiras queimadas - além de armas, apreendidas pela polícia. Os trabalhadores eram obrigados a trabalhar em péssimas condições, sem receber remuneração há mais de 60 dias e impedidos de sair do local.

Proprietário da fazenda, Altamir Soares da Costa está preso desde domingo na sede da Polícia Federal daquele município, acusado de manter em suas terras 52 trabalhadores em regime de escravidão.

A maioria foi contratada no Maranhão e Tocantins e estava na fazenda havia 60 dias, trabalhando apenas em troca de comida e sem receber salário. Entre os empregados havia três crianças e uma mulher grávida.

Durante a prisão, foram apreendidos na fazenda dois revólveres calibres 32 e 38 e uma espingarda. Antes da chegada dos fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho e dos agentes da PF, o "gato" - responsável pela contratação dos trabalhadores -, conhecido por Gilmar, fugiu armado pela mata.

Costa prestou depoimento ontem e se comprometeu em pagar as indenizações dos trabalhadores nesta terça-feira. De acordo com a PF, o fazendeiro foi indiciado há uma semana por falsificar uma guia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para transportar madeira retirada ilegalmente de florestas da região.

O procurador do Ministério Público do Trabalho, Marcelo Ribeiro, informou que os trabalhadores foram contratados para derrubar uma área de mata da fazenda e transformá-la em pasto. Ribeiro disse que a fiscalização encontrou na fazenda todos os elementos que caracterizam a redução dos trabalhadores a condição análoga a de escravos.

Antes de chegar à fazenda, a 10 km do local, os policiais federais descobriram uma trilha aberta na mata fechada, onde os peões eram vigiados por Gilmar, que também exercia o papel de capataz.

"Nunca peguei um centavo desde que fui trabalhar lá", contou o maranhense A.S., de 27 anos. Ele disse que todos eram impedidos de deixar a fazenda a não ser que pagassem pela comida vendida pelo próprio fazendeiro e cujo preço cobrado era maior que em qualquer pensão ou hotel de Marabá.

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