A análise das imagens das câmeras de segurança do hotel em São Paulo onde os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha foram presos com R$ 1,7 milhão mostra que Hamilton Lacerda, o ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo do estado, seria o responsável pela entrega, aos dois petistas, do dinheiro que serviria para pagamento do dossiê contra políticos do PSDB.
Segundo divulgou a PF, nesta quinta-feira, Hamilton Lacerda entrou no hotel segurando uma "bolsa grande e preta". As imagens ainda mostram o ex-assessor de Mercadante na entrada, no corredor e no elevador do hotel com a sacola e, depois de se encontrar com Gedimar Passos, as imagens indicam que ele saiu do hotel sem a mala. A PF trabalha, agora, com a possibilidade de, na sacola, estar todo o R$ 1,7 milhão que seria destinado à compra do dossiê, ou pelo menos parte da quantia. A PF informou que a confirmação oficial da entrega do dinheiro depende de perícia.
Na semana passada, o ex-chefe do núcleo de informações e inteligência da campanha à reeleição de Lula, Jorge Lorenzetti, disse, em depoimento à PF que, se a negociação não tivesse sido interrompida, os documentos teriam sido entregues a Lacerda. Hamilton Lacerda pediu afastamento do cargo na semana passada e admitiu ter participado das negociações com a revista IstoÉ para que fossem publicados documentos que supostamente envolveriam o candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, no esquema de compra superfaturada de ambulâncias.
Em nota, o ex-assessor de Mercadante diz que procurou a revista "por livre e espontânea vontade" e sem conhecimento do candidato. Lacerda ainda negou que as negociações com a IstoÉ envolvessem "qualquer oferta de dinheiro" e disse não conhecer qualquer membro da família Vedoin, que detinha as provas.
Depoimento
A Polícia Federal ouve, nestas quinta e sexta-feira, em São Paulo, os depoimentos de Hamilton Lacerda e Freud Godoy, envolvidos na suposta compra de um dossiê pelo PT contra políticos tucanos. Uma equipe da PF de Cuiabá (MT) vem para São Paulo nesta quinta-feira para tomar os depoimentos. Lacerda, que é ex-coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, teria articulado a publicação de uma reportagem na IstoÉ sobre o dossiê.
Já Freud, que é ex-assessor pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi citado durante depoimento por Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal preso em São Paulo com R$ 1,7 milhão, envolvido no caso.
Dossiê
A 15 dias das eleições, a Polícia Federal apreendeu vídeo, DVD e fotos que mostram o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas. O material contra Serra seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, a Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso.
Gedimar e Valdebran foram presos, em São Paulo, com R$ 1,7 milhão. Eles estavam no hotel Ibis, e aguardavam por um emissário do empresário, que levaria o dossiê contra o tucano. O PT nega que o dinheiro seja do partido. O emissário seria o tio do empresário, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. A pedido de Vedoin, o tio entregaria em São Paulo o documento a Valdebran e Gedimar. Os quatro envolvidos foram presos pela Polícia Federal.
Em depoimento à PF, Gedimar disse que foi "contratado pela Executiva Nacional do PT" para negociar com a família Vedoin a compra de um dossiê contra os tucanos, e que do pacote fazia parte entrevista acusando Serra de envolvimento na máfia. Ele disse ainda que seu contato no PT era alguém de nome "Froud ou Freud". Após a denúncia, Freud Godoy pediu afastamento do cargo de assessor da Presidência. Ele nega as acusações.
Após o episódio, outros nomes ligados ao PT começaram a ser relacionados ao dossiê. Esse é o caso do