O inquérito que investigará o vazamento do dossiê com informações sobre os gastos presidenciais no governo Fernando Henrique Cardoso foi aberto na segunda-feira. A abertura do inquérito foi determinada pelo diretor-geral da PF também na segunda-feira. O pedido foi encaminhado pelo Ministério da Justiça, depois que a ministra Dilma Rouseff fez uma solicitação para averiguar os fatos. A investigação ocorrerá sob sigilo.
A ministra quer que o caso seja investigado com base em artigo do Código Penal que trata de crime de violação de sigilo funcional, já que há suspeita de que o vazamento ocorreu no Palácio do Planalto.
Matérias publicadas na imprensa acusam a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, de ter ordenado o levantamento de dados.
A ministra Dilma Rousseff já havia aberto sindicância para investigar o assunto na própria Casa Civil e pediu que o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) faça uma auditoria nos computadores para averiguar se os dados foram vazados de dentro do Palácio do Planalto.
O Palácio do Planalto quer que a PF investigue quem vazou os dados e quem invadiu os computadores da Casa Civil, mas não deseja apuração sobre eventual motivação política do governo para elaborar o dossiê a fim de intimidar a oposição na CPI dos Cartões.
Álvaro Dias
O senador Álvaro Dias é o principal acusado de ser o autor do vazamento das informações. Na última quinta-feira, o parlamentar negou a sua participação no crime.
- Não sou o réu. Não inventei dossiê nenhum - afirmou.
Para o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), as explicações dadas pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sobre a acusação de que ele (Álvaro) teria sido o responsável pelo vazamento de informações sobre gastos da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso, foram insuficientes.
Na última quarta-feira Álvaro Dias admitiu que sabia da existência do dossiê há pelo menos 30 dias, mas negou que fosse o responsável pelo vazamento.
- Dois fatos muito estranhos o senador não revelou: primeiro, por que ele não denunciou isso no dia em que a CPMI foi instalada? Por que ele guardou esse segredo por mais de 30 dias? Segundo, o Brasil quer saber a verdade sobre esses fatos. Então, que ele dê nome aos bois, de quem ele recebeu, como esse fato chegou até ele. Essas explicações, evidentemente, não foram convincentes - afirmou Luiz Sérgio.
A ministra Dilma garantiu que não há dossiê, que fará investigação e que o vazamento de informações consideradas sigilosas é crime.
- É natural que os dados tenham saído do palácio (Palácio do Planalto), porque é lá que eles são depositados. Mas isso não é fogo amigo, é fogo inimigo mesmo. Tanto que o primeiro cidadão que portou os documentos foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) que até agora não teve a coragem de dizer quem o presenteou com as informações que pertencem ao governo - disse.
- O Álvaro Dias, para mim, comprovou que mentira tem perna curta e língua grande - completou.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou, na última quarta-feira após um pronunciamento de defesa do senador Álvaro Dias, ter informações de que o dossiê foi repassado por um servidor do governo federal a Álvaro Dias. O peemedebista pediu que, se isso for verdade, o senador do PSDB deve dizer o nome da fonte de quem repassou os dados. Dias, manteve-se em silêncio sobre a origem do dossiê:
- Eu não admito que o governo venha me questionar sobre o vazamento dessas informações, aliás pelo Palácio do Planalto eu só passo ao largo. Há muitos anos eu não tenho a satisfação de subir a rampa do Palácio do Planalto, portanto seria impossível que eu pudesse estar urdindo, às barbas do presidente, um dossiê contra o governo passado - afirmou.
Quebra de sigilo
Para o líder do PSDB na C
PF irá investigar vazamento de informações sobre gastos do governo FHC
O inquérito que investigará o vazamento do dossiê com informações sobre os gastos presidenciais no governo Fernando Henrique Cardoso foi aberto na segunda-feira. A abertura do inquérito foi determinada pelo diretor-geral da PF também na segunda-feira. O pedido foi encaminhado pelo Ministério da Justiça, depois que a ministra Dilma Rouseff fez uma solicitação para averiguar os fatos. A investigação ocorrerá sob sigilo. (Leia Mais)
Segunda, 07 de Abril de 2008 às 08:27, por: CdB