O inquérito investiga a responsabilidade de gestores da Caixa na suposta gestão fraudulenta, com possíveis "expressivos prejuízos ao erário federal", segundo comunicado
Por Redação, com Reuters - do Rio de Janeiro:
A Polícia Federal lançou operação nesta quarta-feira para investigar suspeita de fraude na compra de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações, com o cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão e bloqueio de R$ 1,5 bilhão de contas de suspeitos determinado pela Justiça Federal, informou a PF.
O inquérito investiga a responsabilidade de gestores da Caixa na suposta gestão fraudulenta. Com possíveis "expressivos prejuízos ao erário federal". Segundo comunicado.
A investigação apura as ações que culminaram com a compra e venda de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações, em 2009. Com a posterior compra e venda de ações significativas do Panamericano pelo Banco BTG Pactual, acrescentou a polícia.
A PF mobilizou cerca de 200 agentes para cumprir os mandados de busca e apreensão. Expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Londrina.
As investigações policiais identificaram três núcleos do esquema criminoso. Sendo um formado por agentes públicos, outro por consultorias e o núcleo de empresários.
Os agentes públicos eram responsáveis pela assinatura de documentos. Como pareceres e contratos. Enquanto as consultorias eram contratadas para emitir pareceres para legitimar os negócios. Os empresários contribuíam para os crimes mediante a situação de suas empresas e a necessidade de dar aparência de legitimidade aos negócios, segundo a PF.
A Polícia Federal não identificou os alvos dos mandados judiciais.
A Caixa comprou, em dezembro de 2009, 49 % do capital votante e 20,7 % das ações preferenciais do Panamericano por R$ 739,2 milhões. No início de 2011. O BTG Pactual comprou o controle do Panamericano por R$ 450 milhões ao adquirir a totalidade da participação do Grupo Silvio Santos no banco.
Crime
Procurados pela agência inglesa de notícias Reuters, a Caixa e o BTG Pactual não responderam de imediato a pedidos de comentários.
Os investigados responderão, de acordo com suas participações, por suspeita de gestão temerária ou fraudulenta. Além de outros crimes que possam vir a ser descobertos, disse a PF. As penas para esses crimes podem chegar a 12 anos de reclusão.
A operação foi intitulado pela PF de Conclave, em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações para a transação ocorrida entre o Banco Panamericano e a Caixa Participações, em referência ao ritual ocorrido a portas fechadas no Vaticano para escolha do papa, informou a PF.