Policiais federais decidiram cruzar os braços nesta quarta-feira para pressionar o governo a cumprir o acordo firmado no ano passado concedendo 60% de reajuste salarial.
Durante 24 horas, apenas serviços essenciais, como escolta e guarda de presos, não serão interrompidos. Mas as investigações, operações, diligencias e tomadas de depoimentos ficarão prejudicadas, informou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF), Luís Cláudio Avelar.
Segundo ele, nem a Operação Hurricane, que desmontou um esquema de exploração de jogo ilegal, corrupção e venda de decisões judiciais para donos de bingos e máquinas caça-níqueis, escapará da paralisação. - Os depoimentos que seriam tomados nesta quarta, assim como as diligências previstas, estarão prejudicadas - disse.
O prejuízo às investigações depende, no entanto, da disposição dos agentes e delegados envolvidos na Operação Hurricane de cruzar os braços. Mas o presidente do Sindipol acredita que será inevitável, já que a prisão dos magistrados, advogados e contraventores foi prorrogada por apenas cinco dias. - As investigações precisam avançar nos próximos cinco dias, antes que os presos voltem às ruas - alertou Avelar.
A Polícia Federal não comenta movimentos grevistas, mas avalia, internamente, que as investigações da Operação Hurricane não sofrerão grande impacto.
Informações apontam que policiais do Instituto Nacional de Criminalística aderiram em peso à paralisação, com isso a perícia do material apreendido pode atrasar. Por outro lado, a análise de documentos e arquivos de computador, feita por agentes, não será prejudicada. E a retomada dos depoimentos depende agora dos advogados dos presos, que tiveram acesso aos autos do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira. Eles vão decidir se seus clientes, presos na Operação Hurricane, vão colaborar com as investigações.
Aeroportos
A população deve enfrentar problemas nos aeroportos. Em Brasília, por exemplo, foi deflagrada a operação padrão, ou seja, o efetivo será reduzido e a fiscalização, mais rigorosa. - Se trabalhar direito, ou seja, se a Polícia Federal for mais criteriosa, já causará um transtorno, porque não há estrutura - admite o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF.
Reivindicações
Os policiais federais querem que o governo cumpra o acordo firmado em 2006 concedendo 60% de reajuste salarial em duas parcelas. - A primeira seria paga em julho e outra em dezembro. Não vimos um centavo. O governo não cumpre a própria palavra - acusou Avelar.
A categoria reivindica ainda que seja enviada para aprovação do Congresso Nacional a lei orgânica da PF. - Somos regidos pela lei do servidor público - criticou.
Os policiais devem realizar nova assembléia no fim da tarde desta quarta-feira para decidir se voltam ao trabalho após 24 horas de paralisação.