Após a deportação de oito espanhóis, na madrugada desta sexta-feira, a Polícia Federal tende a aumentar a fiscalização nos próximos dias. Segundo o chefe da Imigração no Aeroporto Internacional de Salvador, delegado Francisco Miguel Gonçalves, a medida é rotineira e não se trata de uma retaliação diplomática às deportações e prisões de brasileiros na Espanha. Ao todo, em fevereiro, 450 brasileiros passaram pelo constrangimento de ser detidos e extraditados daquele país.
- Mas vamos intensificar, ainda mais, a fiscalização, por ordem do superintendente da Bahia, César Nunes - disse o delegado
Segundo o delegado, os oito espanhóis deportados, entre eles cinco homens e três mulheres, uns não comprovaram os meios necessários para subsistir no Brasil e outros não tinham onde se hospedar, nem reservas em hotéis brasileiros. O policial federal acrescentou, a jornalistas, que um dos espanhóis tinha apenas US$ 100 no bolso e ficaria 20 dias no Brasil. Outro, que com R$ 160, apresentou um cartão de crédito, vencido desde 2006, como comprovação de subsistência.
Mandados de volta
Condições precárias e falta de explicações e de apoio compõem o quadro descrito por dois dos brasileiros que foram deportados da Espanha e chegaram ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) por volta das 7h desta sexta-feira.
O promotor de vendas Marcos Vinicius da Silva dos Santos, 23 anos, conta que ia fazer conexão em Madri para ir a Paris (França), mas foi barrado.
- Fomos tratados praticamente como animais, sem saber porque estava acontecendo aquilo com a gente - diz, sobre a permanência no aeroporto da capital espanhola.
Santos relata que foi mantido numa sala fechada, com muitas câmeras, e que todos os brasileiros que estavam no local tiveram os documentos apreendidos. Segundo Santos, bastava se identificar como brasileiro para ser levado ao recinto. Questionado sobre se achava haver preconceito na conduta dos espanhóis, ele responde que acha que sim, porque só sul-americanos eram barrados:
- Cidadão europeu estava entrando.
A cabeleireira Lucimeire de Souza Rocha, 21 anos, foi barrada ao tentar entrar em Madri na volta de dois meses de férias. Ela conta que mora lá há um ano e três meses, e que estava preparando a papelada de casamento com o namorado espanhol.
- Eles me detiveram e disseram que eu ia ser deportada. Não me deram explicação nenhuma e não quiseram explicação do meu advogado - afirmou.
Na Espanha
O caso de constrangimento que mais repercutiu, nos últimos dias, foi o da brasileira Patrícia Camargo Magalhães - barrada em 10 de fevereiro no Aeroporto de Madri, retida por três dias e depois repatriada ao Brasil. Situação semelhante foi vivida por Beta Araújo Pratz, de 31 anos. A estudante de direito e técnica acadêmica no Departamento de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) ficou retida no aeroporto da capital espanhola por cinco dias antes de ser repatriada. Ela disse que se sentiu desrespeitada.
Beta Pratz desembarcou em Madri para se encontrar com o namorado e, em seguida, viajar de férias por diferentes cidades do continente europeu. Ela foi barrada e conduzida ao alojamento onde também ficou retida Patrícia Camargo Magalhães.
Para a estudante, as autoridades da imigração da Espanha não checaram as informações que ela apresentou. Beta diz que forneceu nomes de pessoas na cidade com telefones, mas que nenhum contato foi feito. A brasileira conta que no alojamento, que ficou superlotado, havia problemas como falta de camas e para usar o banheiro.
- Consegui reservar uma cama para mim no lugar, mas, nos dias seguintes, muita gente foi colocada ali e algumas dormiam no chão. Se o governo espanhol quer fazer uma triagem severa, que faça direito, que peça um visto aqui (no Brasil) em vez de reter a pessoa por dias na imigração - afirma Beta Pratz.
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