Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

PF entra em greve e espera audiência com Lula

Segunda, 08 de Março de 2004 às 17:13, por: CdB

Os policiais federais não querem mais negociar o aumento dos salários com o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Segundo o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Carlos Garisto, Thomaz Bastos traiu a categoria. O Ministério lamenta a decisão, mas informou hoje em nota oficial que está disposto a retomar o diálogo e reabrir as conversas. Os policiais param suas atividades em todo o país a partir de amanhã por tempo indeterminado em busca do pagamento do vencimento básico de nível superior para agente, escrivão e papiloscopista, em cumprimento à lei nº 9266/96.

Para evitar o ocorrido em dezembro do ano passado, quando a categoria retornou as atividades durante as negociações com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, Garisto garantiu que os policiais apenas reiniciarão os debates se o fizer com a Casa Civil. "Só vamos conversar agora com o presidente Lula, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e não estamos dispostos a voltar atrás", garante.

Garisto espera em breve um aceno do Palácio do Planalto, mas garante que a paralisação é por tempo indeterminado. "Esperamos um bom senso e estamos dispostos a pagar o ônus que essa greve terá, assim como o governo o que lhes cabe. Enquanto não formos atendidos, não voltaremos". Para ele, a categoria foi empurrada pelo ministro Thomaz Bastos para a greve devido às investigações do caso Waldomiro Diniz, que, segundo Garisto, ficarão paralisadas durante a greve. Na semana passada, o ministro afirmou, entretanto, que a greve não vai interferir nas investigações da Polícia Federal no caso e que todas as operações essenciais serão mantidas.

Transtornos à população

Segundo o presidente da Fenapef, mais de 10 mil policiais, cerca de 10% do contingente nacional, continuarão a atuar em todo o país para o funcionamento de serviços essenciais como custódia de preso, plantão e emissão de documentos. Os serviços funcionarão, entretanto, de forma precária e reduzida pelos delegados, que não integram a greve.

"Pedimos que a população também nos ajude. Mesmo assim, manteremos serviços para que nenhum cidadão corra risco de vida ou tenha danos irreparáveis", diz Garisto. A recomendação dele é que àqueles cidadãos que não precisarão do passaporte em breve, que esperem para solicitá-lo. Assim como àqueles que pretendem viajar nos próximos dias, que entendam a demora na checagem feita pelos policiais devido ao contingente reduzido. "Temos de fazer a greve de maneira que não prejudiquemos a população. Esse é o problema da greve".

O lamento do Ministério da Justiça

O Ministério da Justiça lamentou hoje em nota oficial a decisão da Fenapef e garantiu que desde 1º de janeiro de 2003 busca melhorar as condições de trabalho dos policiais federais. O Ministério divulgou que a equiparação salarial pretendida pela federação pode acarretar prejuízo para os servidores que atuam na carreira e não possuem diploma de nível superior. Segundo o sindicato, o governo teria de desembolsar R$ 528 milhões para atender às reivindicações da categoria.

Leia abaixo na íntegra a nota do Ministério da Justiça.

O governo federal reconhece o importante papel desempenhado pelos profissionais da Polícia Federal. Desde 1º de janeiro de 2003, o Ministério da Justiça busca melhorar as condições de trabalho dos policiais federais. E tem se mantido atento para garantir a manutenção e o bom funcionamento da Polícia Federal. Tanto que no primeiro trimestre do ano passado, o presidente da República assinou medida provisória, convertida em lei em 2003, para ampliar o quadro efetivo da Polícia Federal. Concursos públicos serão realizados este ano para aumentar o número de servidores, tanto de nível administrativo quanto das carreiras específicas de policial federal.

Por tudo isso, o Mini

Tags:
Edições digital e impressa