A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro recebeu nesta tarde a determinação da Direção Geral do Departamento de Polícia Federal em Brasília para começar a identificar os turistas norte-americanos que desembarcarem no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. A identificação é feita através de fotografias e impressões digitais.
De acordo com o órgão, o procedimento começará a ser executado logo ocorra o desembarque do primeiro cidadão dos Estados Unidos no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim.
A Polícia Federal na Bahia também iniciou hoje o trabalho de identificação dos turistas originários dos Estados Unidos que chegam a Salvador pelo Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, ou através do Porto de Salvador. Como não existem vôos diretos vindos dos EUA para Salvador, pois todos eles desembarcam no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a atenção da PF baiana está voltada para os turistas norte-americanos vindos em vôos provenientes da Europa.
A decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva estabelece o princípio da reciprocidade nos aeroportos brasileiros para cidadãos dos Estados Unidos que ingressarem no país. Com isso, os norte-americanos que chegarem ao Brasil devem ser fotografados e ter suas impressões digitais recolhidas ao entrarem em portos e aeroportos, como acontece nos aeroportos dos Estados Unidos para cidadãos brasileiros e de outras nacionalidades.
Até o momento a medida só havia sido adotada pelos agentes da Polícia Federal do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Um eventual recurso contra a ordem terá de ser formulado pela Advocacia Geral da União, órgão da presidência da República.
Rio irá à Justiça
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, considera um erro grave contra o turismo brasileiro a decisão judicial que reproduz no Brasil as medidas adotadas pelo governo norte-americano em relação à fiscalização de visitantes estrangeiros. Maia autorizou a Procuradoria Geral do Município a entrar na Justiça com pedido de liminar que impeça a identificação de norte-americanos no aeroporto internacional do Rio.
"A aplicação de uma reciprocidade ingênua terá repercussão nas agências de viagens e na imprensa internacional, afetando nosso mercado receptivo em relação ao principal mercado exportador de turismo", disse ele.
Maia considera a decisão desastrosa "principalmente pelo fato de estarmos em pleno verão brasileiro", e por "atingir diretamente a cidade do Rio de Janeiro, que tem sua marca internacional garantida pela diversidade, pela transigência e pela paz".
"A nossa cidade foi particularmente atingida, porque essa decisão ocorre num momento em que o Rio ganha visibilidade internacional como promotor de grandes eventos esportivos e turísticos, destacando-se o carnaval, que é marca de nossa identidade cultural", afirmou Cesar Maia, segundo nota distribuída por sua assessoria de imprensa.