Os servidores da Polícia Federal prometem fazer uma paralisação nos dias 7 e 8 de maio, véspera da chegada do papa Bento XVI ao Brasil, caso as reivindicações da categoria não sejam aceitas pelo governo em reunião que será realizada nesta quinta-feira, em Brasília. Participam das negociações representantes de todas as classes de funcionários da Polícia Federal e os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Justiça, Tarso Genro.
O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, nega que a paralisação vá prejudicar a segurança do Papa. - Quem estiver envolvido na segurança do Papa não pára. Isso foi bem discutido, será cumprido à risca. A PF não vai em momento algum gerar qualquer transtorno - disse.
A Polícia Federal está escalada para a força-tarefa que protegerá Bento XVI no Brasil. A operação deve contar com 3,5 mil homens e irá ocorrer de forma conjunta entre as polícias Federal, Militar e Civil e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob o comando do Exército.
Wink confirmou, porém, que as demais atividades da Polícia Federal serão paralisadas, a exemplo do que ocorreu no último dia 18. Além de suspender o atendimento nas superintendências, como a emissão de passaportes, há previsão de que ocorra uma nova operação-padrão nos aeroportos. Na última paralisação, a PF aumentou o tempo de conferência de documentos para vôos internacionais, gerando longas filas durante todo o dia.
- A paralisação foi aprovada nesta quarta, na assembléia da Federação Nacional. Será de dois dias na próxima semana e de mais três dias entre 22 e 24 de maio. Vamos engrossar nosso movimento - disse Wink.
Reivindicações
Nesta quinta-feira, estava prevista uma paralisação dos servidores do setor administrativo da Polícia Federal (agentes, peritos, juízes, datiloscopistas). Porém, de acordo com o Sindicato dos Servidores da Polícia Federal de São Paulo, a paralisação foi adiada em virtude da retomada das negociações.
Uma assembléia geral realizada na terça e quarta-feira, representantes de 27 sindicatos definiram os pontos que serão abordados na reunião desta quinta-feira com o governo. O objetivo principal é cobrar o reajuste salarial de 30% aos policiais federais que teria sido assinado em fevereiro do ano passado pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. O pagamento da parcela prevista para janeiro deste ano não foi liberado pelo Ministério do Planejamento.
Além do reajuste salarial, os policiais federais pedem também a criação de um plano de carreira. A PF já fez duas paralisações este ano. As manifestações atrasaram os serviços de embarque e desembarque internacionais nos aeroportos e suspenderam as operações de investigação da Polícia Federal, inclusive a Operação Furacão.