Depois de mais de um ano de investigações, denominada Operação Vampiro, a Polícia Federal descobriu um esquema de fraude nas licitações do Ministério da Saúde, que gerou um rombo de cerca de R$ 2 bilhões, entre os anos de 1990 e 2002.
Foram expedidos 17 mandados de prisão no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, sendo nove contra funcionários do Ministério da Saúde. Até o início da tarde desta quarta-feira, 12 pessoas já haviam sido presas. Entre elas estão Luiz Cláudio Gomes da Silva, coordenador da comissão de licitação da pasta, o empresário Francisco Honorato e o vice-presidente do Jornal de Brasília, Leonêncio Peixoto. Uma mala com R$ 1 milhão em espécie foi apreendida na casa de um dos funcionários do ministério.
A PF suspeita que o esquema de fraude nas licitações de hemoderivados vinha atuando por mais de dez anos e que tenha ligação com o esquema de Paulo César Farias no Ministério da Saúde, um dos primeiros a serem revelados na seqüência de denúncias que resultaram no impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. Anualmente, o ministério importa US$ 100 milhões de hemoderivados.
Os próximos passos da Polícia Federal envolvem a prisão dos demais envolvidos, análise das provas para ver a extensão da atuação da quadrilha e o cumprimento dos 42 mandados de busca e apreensão já expedidos. A operação continua nesta quarta-feira em São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Serão alvos dos mandados casas, fazendas, chácaras, escritórios e até salas do Ministério da Saúde, onde os funcionários envolvidos trabalhavam.