Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

PF considera desnecessária a prisão de diretor

Terça, 16 de Setembro de 2008 às 16:04, por: CdB

A direção da Polícia Federal (PF) considerou na terça-feira desnecessária a prisão do número dois da instituição, Romero Menezes.

- A prisão, na nossa opinião, não seria necessária - disse a jornalistas o delegado Roberto Troncon Filho, diretor do Departamento de Combate ao Crime Organizado, que substitui provisoriamente o colega na diretoria-executiva da PF.

Menezes é suspeito de favorecer o irmão, gerente de uma empresa que presta serviços à MMX, companhia controlada por Eike Batista. A investigação é fruto de um desdobramento da Operação Toque de Midas, que apurou irregularidades na licitação de uma ferrovia no Amapá, vencida pela MMX.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, também foram presos José Gomes de Menezes Júnior, irmão do diretor-executivo, e Renato Camargo dos Santos, diretor da empresa de propriedade de Eike.

O Ministério Público também investiga se Menezes teria ligação com o vazamento de informações que causou a antecipação da Operação Toque de Midas, em julho.

Segundo Troncon, Menezes é suspeito de ter indicado pessoas de sua relação para fazer um curso de segurança portuária. Já o irmão dele é acusado de tráfico de influência. Outro crime citado foi o de formação de quadrilha.

- Não há comprovação contumaz ou prova cabal de nenhum desses ilícitos que são provisoriamente imputados ao diretor-executivo - afirmou Troncon.

- Esta prisão não teve como fundamento o vazamento de informações. A Justiça achou que poderia ter interferência na coleta de provas (devido ao cargo de Menezes) - acrescentou.

Troncon disse estar chateado com o acontecido, mas ressaltou que o fato reforça a imagem do órgão. Isso porque a PF estaria dando provas de que seu trabalho é feito dentro das regras do jogo.

- Não importa quem, se o mais alto funcionário público ou o mais humilde dos investigados - complementou.

O delegado negou que a prisão de Menezes seja resultado de uma luta pelo poder dentro da PF ou da disputa entre a instituição e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). "Coincidências acontecem todos os dias nas nossas vidas. Essa é mais uma coincidência", concluiu.

Em prisão preventiva durante cinco dias, Menezes ficará detido na Superintendência da PF em Brasília.

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