A direção da Polícia Federal (PF) considerou na terça-feira desnecessária a prisão do número dois da instituição, Romero Menezes.
- A prisão, na nossa opinião, não seria necessária - disse a jornalistas o delegado Roberto Troncon Filho, diretor do Departamento de Combate ao Crime Organizado, que substitui provisoriamente o colega na diretoria-executiva da PF.
Menezes é suspeito de favorecer o irmão, gerente de uma empresa que presta serviços à MMX, companhia controlada por Eike Batista. A investigação é fruto de um desdobramento da Operação Toque de Midas, que apurou irregularidades na licitação de uma ferrovia no Amapá, vencida pela MMX.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, também foram presos José Gomes de Menezes Júnior, irmão do diretor-executivo, e Renato Camargo dos Santos, diretor da empresa de propriedade de Eike.
O Ministério Público também investiga se Menezes teria ligação com o vazamento de informações que causou a antecipação da Operação Toque de Midas, em julho.
Segundo Troncon, Menezes é suspeito de ter indicado pessoas de sua relação para fazer um curso de segurança portuária. Já o irmão dele é acusado de tráfico de influência. Outro crime citado foi o de formação de quadrilha.
- Não há comprovação contumaz ou prova cabal de nenhum desses ilícitos que são provisoriamente imputados ao diretor-executivo - afirmou Troncon.
- Esta prisão não teve como fundamento o vazamento de informações. A Justiça achou que poderia ter interferência na coleta de provas (devido ao cargo de Menezes) - acrescentou.
Troncon disse estar chateado com o acontecido, mas ressaltou que o fato reforça a imagem do órgão. Isso porque a PF estaria dando provas de que seu trabalho é feito dentro das regras do jogo.
- Não importa quem, se o mais alto funcionário público ou o mais humilde dos investigados - complementou.
O delegado negou que a prisão de Menezes seja resultado de uma luta pelo poder dentro da PF ou da disputa entre a instituição e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). "Coincidências acontecem todos os dias nas nossas vidas. Essa é mais uma coincidência", concluiu.
Em prisão preventiva durante cinco dias, Menezes ficará detido na Superintendência da PF em Brasília.