Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 2026

PF conclui inquérito e indicia pilotos do Legacy

Quarta, 09 de Maio de 2007 às 08:44, por: CdB

Sete meses após o acidente com o Boeing da Gol, a Polícia Federal de Mato Grosso concluiu o inquérito mantendo os indiciamentos dos pilotos do jato Legacy, os americanos Joe Lepore e Jan Paladino, e sugerindo que as instâncias competentes investiguem e punam os controladores de vôo. A PF não pôde indiciá-los porque eles são militares. O caso deverá ser levado para o Ministério Público Militar e para a Justiça Militar.

A colisão do avião da Gol com o Legacy, ocorrida em 29 de setembro do ano passado, provocou a queda do Boeing em Mato Grosso e as 154 pessoas que estavam a bordo morreram. O jato fez um pouso de emergência no Pará e os sete ocupantes saíram ilesos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, laudos das perícias realizadas pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) confirmaram que houve falha dos pilotos e dos controladores de vôo que trabalhavam no centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1) no dia do acidente.

 Prorrogação do prazo

O delegado responsável pelas investigações, Renato Sayão, havia pedido mais 30 dias para finalizar o inquérito, porém, os laudos do INC chegaram antes da prorrogação do prazo.

Após receber o relatório final da PF, o Ministério Público Federal (MPF) deve decidir se vai ou não oferecer denúncia (acusação formal) contra os pilotos, indiciados por "expor a perigo embarcação ou aeronave", na modalidade culposa (sem intenção). O MPF também pode pedir mais diligências.

 Relatório

O advogado Theo Dias, que defende os pilotos Lepore e Paladino, disse ao jornal que o inquérito da PF é inconclusivo. - A polícia está sucumbindo ao clamor popular, sem investigar os fatos - afirma.

Em abril, Theo Dias e o outro advogado dos pilotos, José Carlos Dias, produziram um relatório apontando que a principal causa do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy foi a falha do sistema de controle de tráfego aéreo.

No documento de 134 páginas, os advogados dizem que o centro de controle aéreo de Brasília "alterou erroneamente" o nível de vôo em sua faixa de dados de 37 mil pés para 36 mil pés, sem que houvesse autorizado os pilotos a mudar para essa altitude.

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