Sete meses após o acidente com o Boeing da Gol, a Polícia Federal de Mato Grosso concluiu o inquérito mantendo os indiciamentos dos pilotos do jato Legacy, os americanos Joe Lepore e Jan Paladino, e sugerindo que as instâncias competentes investiguem e punam os controladores de vôo. A PF não pôde indiciá-los porque eles são militares. O caso deverá ser levado para o Ministério Público Militar e para a Justiça Militar.
A colisão do avião da Gol com o Legacy, ocorrida em 29 de setembro do ano passado, provocou a queda do Boeing em Mato Grosso e as 154 pessoas que estavam a bordo morreram. O jato fez um pouso de emergência no Pará e os sete ocupantes saíram ilesos.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, laudos das perícias realizadas pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) confirmaram que houve falha dos pilotos e dos controladores de vôo que trabalhavam no centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1) no dia do acidente.
Prorrogação do prazo
O delegado responsável pelas investigações, Renato Sayão, havia pedido mais 30 dias para finalizar o inquérito, porém, os laudos do INC chegaram antes da prorrogação do prazo.
Após receber o relatório final da PF, o Ministério Público Federal (MPF) deve decidir se vai ou não oferecer denúncia (acusação formal) contra os pilotos, indiciados por "expor a perigo embarcação ou aeronave", na modalidade culposa (sem intenção). O MPF também pode pedir mais diligências.
Relatório
O advogado Theo Dias, que defende os pilotos Lepore e Paladino, disse ao jornal que o inquérito da PF é inconclusivo. - A polícia está sucumbindo ao clamor popular, sem investigar os fatos - afirma.
Em abril, Theo Dias e o outro advogado dos pilotos, José Carlos Dias, produziram um relatório apontando que a principal causa do choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy foi a falha do sistema de controle de tráfego aéreo.
No documento de 134 páginas, os advogados dizem que o centro de controle aéreo de Brasília "alterou erroneamente" o nível de vôo em sua faixa de dados de 37 mil pés para 36 mil pés, sem que houvesse autorizado os pilotos a mudar para essa altitude.