Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

PF começa a desdobrar Operação Hidra

Sexta, 06 de Maio de 2005 às 08:49, por: CdB

Depois de desarticular uma das maiores quadrilhas de contrabando e mercadorias do país, as autoridades começam agora ao desdobramento das ações. A informação é do chefe da Comunicação Social da Polícia Federal em Maringá, responsável por repassar as informações sobre a operação para a imprensa, Celso Secolo.

Segundo ele, a análise dos documentos e o cruzamento de informações do material apreendido é que dará uma noção mais exata da extensão das atividades da quadrilha e dos prejuízos causados aos cofres públicos, inicialmente calculados em R$ 30 milhões por mês em movimentação de mercadorias contrabandeadas do Paraguai. A polícia acredita que o trabalho de apuração leve pelo menos um ano.

A Polícia Federal prendeu, em três dias de Operação Hidra, 68 pessoas. No Paraná estão detidos 30 envolvidos, entre eles 11 policiais rodoviários, um policial rodoviário federal e quatro policiais militares do Mato Grosso do Sul, além de um policial federal lotado em Maringá. Em São Paulo há nove presos, no Mato Grosso, dois, e em Mato Grosso do Sul, 27. Foram expedidos 87 mandados pela Justiça Federal de Maringá, para serem cumpridos nos quatro estados.

Dos 30 presos no Paraná, seis foram transferidos na quinta-feira para Foz do Iguaçu, 11 policiais rodoviários estaduais estão detidos no 4.° Batalhão da Polícia Militar, em Maringá, duas mulheres, na delegacia feminina de Astorga e 11 empresários e funcionários de empresas envolvidas ainda estão na delegacia da Polícia Federal e devem ser remanejados para delegacias da região de Maringá.

As investigações da operação Hidra tiveram início em junho do ano passado, com o objetivo identificar os verdadeiros comandantes do contrabando a partir da fronteira do Brasil com o Paraguai, em especial no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Toda a investigação foi amparada em ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal em Maringá (PR), com apoio e acompanhamento do Ministério Público Federal.

Segundo a polícia, os principais integrantes da quadrilha investigada mantinham estrutura operacional e logística nas cidades de Maringá, Umuarama, Foz do Iguaçu , Eldorado (MS) e Mundo Novo (MS), onde muitos deles mantêm residências e negócios. Foi detectado também que as empresas "Carrocerias Taba" e "Transbalam", ambas localizadas em Maringá, seriam integrantes da quadrilha. A primeira servia de entreposto e ponto de reunião dos suspeitos. Já a segunda era usada como "fachada" para as negociações da organização criminosa.

Os objetos contrabandeados eram transportados em caminhões e carretas pertencentes à quadrilha, e tinham como destino final os estados de São Paulo, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A cidade de Maringá era a principal base da quadrilha. Só no Paraná estão detidos em poder da polícia, 32 veículos, entre caminhões e carretas, pertencentes à quadrilha. No Mato Grosso do Sul foram apreendidos 78 caminhões.

As investigações da Polícia Federal chegaram ao comando do contrabando, o empresário José Doniseth Balan, preso no Mato Grosso do Sul, que foi citado na CPI da Pirataria e já tinha sido investigado durante a Operação Nicotina, realizada em novembro de 2002. O grupo era especializado na compra, venda e transporte de mercadorias contrabandeadas de altíssima qualidade e bom valor de mercado, como eletroeletrônicos, equipamentos de informática, cigarros, materiais e equipamentos médicos e odontológicos, agrotóxicos, medicamentos, compostos farmacêuticos e pneus.

Conforme informou a Polícia Federal, os acusados serão indiciados pela prática de crimes como contrabando e descaminho; quadrilha; estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva, facilitação de contrabando e ou descaminho, falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

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