A Polícia Federal apreendeu nesta terça-feira diversos bens do dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, incluindo a coleção de arte e a mansão milionária no bairro do Morumbi, em São Paulo.
A ação foi determinada pela Justiça, que autorizou buscas na casa de Cid Ferreira, no depósito de obras de arte, que abriga cerca de 10 mil itens, e na sede de uma empresa do banqueiro, afirmou a assessoria da PF.
Com a apreensão dos bens, Cid Ferreira não pode se desfazer de sua casa mas continuará morando no imóvel, que tem vista para a sede do Banco Santos, sob intervenção do Banco Central desde novembro passado.
O advogado de Cid Ferreira, Sérgio Bermudes, confirmou a operação da PF e acrescentou que os policiais federais levaram da casa do banqueiro 50 mil reais, 3 mil dólares, um computador e alguns documentos --"nada significativo".
- Não houve nenhum incidente. O Edemar entregou o passaporte dele aos procuradores, voluntariamente, apenas para mostrar a sua intenção de permanecer no território nacional - disse Bermudes.
O advogado acrescentou que os agentes da Polícia Federal, "educadíssimos", compareceram à casa do banqueiro acompanhados de dois procuradores da República. Segundo ele, especialistas em obras de arte foram ao depósito para fazer a listagem da coleção, acumulada durante anos pelo banqueiro, que presidiu a Fundação Bienal entre 1992 e 1997.
- Mas viram que o negócio é muito complexo, muito longo - disse ele, sem saber informar o valor da coleção, que compreende documentos, mapas históricos e arte contemporânea.
O BC interveio no Banco Santos sob a suspeita de que a instituição tenha maquiado um rombo no balanço que a impediria de honrar as obrigações, se continuasse operando normalmente.
Desde a intervenção, os credores tentam evitar a liquidação judicial do banco, processo lento e doloroso por meio do qual os ativos são vendidos para pagar dívidas.