O doleiro Kurt Paul Pickel foi apontado, em relatórios da Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Castelo de Areia, como principal articulador do suposto esquema criminoso montado por executivos da construtora Camargo Corrêa. Pickel seria o principal intermediário na evasão de divisas e lavagem de dinheiro, de acordo com informações colhidas junto ao processo. Um trecho do documento revela que "Kurt é o principal articulador do suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro da organização criminosa instalada na alta diretoria do grupo Camargo Corrêa".
Reportagem publicada nesta quarta-feira, na edição do diário paulistano Folha de S. Paulo, "dezenas de conversas telefônicas entre os diretores e o doleiro e até encontros em hotéis e em estacionamentos, em São Paulo, foram monitorados pela polícia, que detalhou, por meio de um organograma, o papel de cada um no suposto esquema". Ainda segundo a FSP, "a Camargo Corrêa informou que apenas seus advogados poderiam comentar o caso... Alberto Toron, que defende Kurt, afirmou que as acusações são 'um absurdo'. 'Meu cliente tem um nome no mercado financeiro, não é nem nunca foi doleiro", disse o advogado.
Críticas
Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Gilmar Mendes, voltou a acirrar as suas já críticas à PF e ao Ministério Público (MP). Ele defendeu a tese de que o controle externo das atividades da polícia deve ser feito por um juiz e não pelo Ministério Público - que é legalmente encarregado da tarefa, mas, segundo Mendes, não a executa bem.
– Esse tal controle externo do Ministério Público (sobre a PF) é algo lítero-poético-recreativo. Não tem funcionado a contento – afirmou Mendes a jornalistas, sobre a Operação Castelo de Areia.
Já o ministro da Justiça, Tarso Genro afirmou na noite passada que a suspeita de crime eleitoral contra partidos e políticos de oposição, levantada na Operação Castelo de Areia, "é uma questão secundária". Segundo o ministro, ela só será objeto de investigação se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral determinarem. Antes, afirmou Tarso, "é preciso checar se realmente ocorreram financiamentos ilegais".
Num visível esforço para apaziguar os ânimos no meio político, intrigado e alvoroçado com a ausência do PT e de parlamentares da base governista entre os envolvidos no escândalo, o ministro disse:
– Reitero: O inquérito da Castelo de Areia não está acusando nenhum partido de ter recebido financiamento ilegal.
No conjunto foram sete os partidos acusados de recebimento ilegal de recursos, por meio de caixa 2, da Construtora Camargo Corrêa. São quase todos partidos de oposição. A lista também incluiu os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e deputados, entre eles José Carlos Aleluia (DEM-BA).