As investigações, que começaram há cerca de dois meses, indicam que a droga vinha do Paraná e seria distribuída em Salvador e outras cidades do interior da Bahia
Por Redação, com ABr - de Brasília:
A Polícia Federal anunciou nesta sexta-feira a maior apreensão de cocaína já realizada no Estado da Bahia. A apreensão de aproximadamente 810 quilos de cocaína ocorreu em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, na tarde de quinta. Três pessoas foram presas.
Ao investigar a quadrilha, a polícia descobriu um galpão, em Lauro de Freitas, usado para armazenar drogas. A abordagem na quinta-feira foi feita no local. No momento em que chegava um caminhão carregado com cerca de 600 quilos de cocaína escondidos em um compartimento embaixo da carroceria. Segundo a PF, o restante da droga estava no galpão, dentro de uma caixa d'água.
As investigações, que começaram há cerca de dois meses, indicam que a droga vinha do Paraná e seria distribuída em Salvador e outras cidades do interior da Bahia. Os presos foram encaminhados para a Superintendência da PF e, em seguida, para o sistema prisional, onde devem ficar à disposição da justiça.
Todos foram indiciados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A PF informou que vai continuar as investigações, para que outras pessoas envolvidas no esquema sejam identificadas.
Funasa no Maranhão
A Polícia Federal deflagrou no dia anterior duas fases simultâneas da Operação Sermão aos Peixes. Que investiga o desvio de recursos do Fundo Nacional de Saúde (Funasa). Destinados ao Estado do Maranhão. Uma das fases, a Operação Voadores, revelou que mais de R$ 36 milhões foram desviados por meio de cheques.
Três pessoas envolvidas no esquema tiveram a prisão preventiva decretada. Dez foram conduzidas a prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados. Também foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão.
Os policiais cumpriram as ordens judiciais nas cidades de São Luís e Imperatriz, no Maranhão, em Palmas e Araguaína, no Tocantins, em Goiânia e Arenópolis, em Goiás, e em Juquitiba, em São Paulo.
A primeira fase da Operação Sermão aos Peixes ocorreu em novembro do ano passado. A partir de investigações que revelaram que duas organizações privadas. Responsáveis pela gestão de unidades de saúde pública do Maranhão estavam desviando verbas para enriquecimento ilícito e financiamento de campanha política.
Voadores
A fase Voadores, deflagrada hoje, mostrou que diretores do Instituto Cidadania e Natureza (ICN), uma das entidades privadas envolvidas nos desvios, sacavam cheques nos caixas de bancos das contas vinculadas às organizações e depositavam em contas pessoais e de pessoas próximas.
Para disfarçar a prática, os cheques tinham valores redondos até R$ 10 mil, o que não exige no banco a identificação de quem saca o valor. A prática é chamada de smurfing. Segundo a Polícia Federal, foram emitidos 4.177 cheques entre janeiro de 2010 e dezembro de 2013.
Já a fase Abscôndito, deflagrada ao mesmo tempo que a fase Voadores, teve o objetivo de apurar o vazamento e as condutas de destruição e ocultação de provas ocorridas na deflagração da primeira fase da operação Sermão aos Peixes.
Repasse
À época, o ex-secretário da Saúde do Maranhão, Ricardo Murad, responsável pelo repasse da gestão das unidades de saúde às entidades privadas. Ele divulgou em sua página do Facebook detalhes sobre a operação.
Murad foi uma das pessoas que prestaram depoimento na primeira fase. Após ser ouvido, ele divulgou nota negando o desvio de dinheiro público por meio dos contratos com as organizações privadas.
Segundo a PF, a divulgação da informação propiciou a destruição e ocultação de provas. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Os policiais verificaram, por exemplo, que havia computadores sem o disco rígido.
Além disso, uma aeronave de propriedade do Centro Oncológico Brasileiro (Cobra), também investigada no esquema e que seria apreendida. Foi vendida e transferida para outra empresa três dias após a deflagração da operação. Por preço cinco vezes menor do que o valor de mercado. Segundo dados das investigações. Há indícios de que o avião foi comprado com recursos desviados da organização Bem Viver.
Por causa do vazamento de informações, a primeira fase da operação Sermão aos Peixes teve início antes do previsto e contou apenas com o efetivo policial local, o que fez com que os mandados demorassem três dias para serem cumpridos.
Na fase Abscôndito, deflagrada hoje, a Polícia Federal encontrou e apreendeu uma aeronave, que é avaliada em R$ 2,5 milhões. Entre os demais itens apreendidos estão quatro carros de luxo, R$ 77 mil reais e diversos cheques.
À Agência Brasil tentou contato telefônico com o Instituto Cidadania e Natureza (ICN), a organização Bem Viver e o Centro Oncológico Brasileiro (Cobra) por meio dos números informados na internet, mas as chamadas não completaram.