O delegado Paulo Tarso, novo chefe da Divisão de Repressão a Crimes Ambientais da Polícia Federal, afirmou, em documentário chamado "Amazônia - terra cobiçada", que a legislação do país não lida com este crime como deveria, pois não fornece instrumentos "tanto para quem fiscaliza quanto para quem tem de combatê-lo".
O delegado explicou que esta Divisão foi criada porque a demanda estava muito grande. Acrescentou que o crescimento desse tipo de crime se deve ao "grande retorno financeiro que ele rende aos infratores". Na Amazônia, afirmou o delegado, existe uma "atuação organizada de grupos", principalmente na área de animais silvestres.
O chefe da repressão ao crime ambiental da PF informou que os contrabandistas chegam a levar até "partes de animais silvestres como dentes de uma onça". Há muitos casos ainda de artesanato indígena exportado ilegalmente: penas de arara, de mutum e de peixes ornamentais.
A extração da madeira ilegal também preocupa a Polícia Federal e, segundo Paulo Tarso, na Amazônia é importante a cooperação e a troca de informações sobre os criminosos que atuam nessa área, entre "as embaixadas e os adidos policiais". Como exemplo, ele citou a ida de uma comitiva oficial do governo brasileiro, no dia 4 de abril de 2004, a Lima, no Peru, para tratar da invasão dos madeireiros peruanos ao lado brasileiro.
- Esses madeireiros peruanos estão ligados aos madeireiros asiáticos e há até um conflito na região, envolvendo os indígenas da etnia Ashaninka, que têm uma parte no lado do Brasil e a outra no lado do Peru, onde foi devastada grande área e agora eles estão invadindo o lado brasileiro - disse Paulo Tarso.