Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

PF abre inquérito para investigar institutos que apóiam Garotinho

Quinta, 27 de Abril de 2006 às 08:08, por: CdB

A Polícia Federal abriu inquérito, nesta quinta-feira, para investigar a atuação do instituto que recebeu R$ 26,89 milhões do governo Rosinha Matheus (PMDB), ao longo deste ano e R$ 112,5 mihões desde 2003. No Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento (IBDT) há no mínimo dois sócios de empresas que fizeram doações em dinheiro para a campanha presidencial do ex-governador Anthony Garotinho, além de realizar trabalhos assistencialistas com objetivos político-eleitorais.

Nesta quarta-feira, o IBDT inaugurou sua sede em Saquarema, na Região dos Lagos, onde um serviço de assistência é prestado a pessoas carentes e crianças, com assistência odontológica e aulas de informática. A empresa está instalada no térreo de um prédio antigo no centro da cidade, mas não dispõem de espaço físico para atividades de treinamento, capacitação e seleção de pessoal para o governo do Estado, atividades para as quais, desde 2004, tem sido contratada sem licitação por meio da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp ). O imóvel é composto pelo gabinete dentário, pela sala de computação, uma recepção e por uma pequena cozinha.

Segundo dados da Receita Federal, o IBDT foi criado em 29 de agosto de 2003.
ONGs de sócios de três das quatro empresas que doaram dinheiro para a  pré-campanha do ex-governador Anthony Garotinho à Presidência  receberam R$ 112,5 milhões do governo Rosinha Garotinho de 2003 até ontem. Os contratos dessas ONGs com o governo do estado foram feitos sem licitação através da  Fundação Escola do Serviço Público (Fesp). A estatal empenhou para essas entidades cujos sócios doaram recursos à campanha de Garotinho  R$ 59,8 milhões só no ano passado, segundo dados do Sistema de  Administração Financeira do estado (Siafem). Juntos, eles doaram R$ 400 mil do total de R$ 650 mil que o PMDB de Garotinho diz ter arrecadado.

A PF vai investigar o fato de que os nomes dos doadores de recursos para a campanha do peemedebista, conforme levantamento realizado junto ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas, são os mesmos de diretores de duas outras Organizações Não Governamentais (ONGs), o  Instituto Nacional de Pesquisa e Ensino da Administração Pública (Inep) e o Instituto Nacional de Aperfeiçoamento da Administração Pública (Inaap). Há indícios, segundo fonte da PF, de que os diretores dos três institutos são os mesmos e atuam coordenados com os doadores privados da campanha de Garotinho. Luiz Antônio Motta Roncoli, sócio majoritário da Virtual Line, que fez doação de R$ 50 mil, aparece como diretor-presidente do Inep e integra, informalmente, a diretoria do Inaap. No Rio, a sede dos institutos também é integrada e funciona no quarto andar da Rua do Ouvidor, 90. Em 2005, o Inep recebeu da Fesp R$ 26,4 milhões. 
O Inaap, que foi beneficiário de empenhos da Fesp que totalizaram R$ 18 milhões em 2005, tem em seus quadros Nildo Jorge Raja, que também figura como doador da pré-campanha de Garotinho. Ele é vice-presidente do instituto e sócio-gerente da Emprin, que doou R$ 200 mil ao PMDB.

O inquérito aberto pela PF atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, que suspeita da existência de "sócios laranjas" nas doações ao PMDB.

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