A Polícia Federal abriu inquérito, nesta quinta-feira, para investigar a atuação do instituto que recebeu R$ 26,89 milhões do governo Rosinha Matheus (PMDB), ao longo deste ano e R$ 112,5 mihões desde 2003. No Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento (IBDT) há no mínimo dois sócios de empresas que fizeram doações em dinheiro para a campanha presidencial do ex-governador Anthony Garotinho, além de realizar trabalhos assistencialistas com objetivos político-eleitorais.
Nesta quarta-feira, o IBDT inaugurou sua sede em Saquarema, na Região dos Lagos, onde um serviço de assistência é prestado a pessoas carentes e crianças, com assistência odontológica e aulas de informática. A empresa está instalada no térreo de um prédio antigo no centro da cidade, mas não dispõem de espaço físico para atividades de treinamento, capacitação e seleção de pessoal para o governo do Estado, atividades para as quais, desde 2004, tem sido contratada sem licitação por meio da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp ). O imóvel é composto pelo gabinete dentário, pela sala de computação, uma recepção e por uma pequena cozinha.
Segundo dados da Receita Federal, o IBDT foi criado em 29 de agosto de 2003.
ONGs de sócios de três das quatro empresas que doaram dinheiro para a pré-campanha do ex-governador Anthony Garotinho à Presidência receberam R$ 112,5 milhões do governo Rosinha Garotinho de 2003 até ontem. Os contratos dessas ONGs com o governo do estado foram feitos sem licitação através da Fundação Escola do Serviço Público (Fesp). A estatal empenhou para essas entidades cujos sócios doaram recursos à campanha de Garotinho R$ 59,8 milhões só no ano passado, segundo dados do Sistema de Administração Financeira do estado (Siafem). Juntos, eles doaram R$ 400 mil do total de R$ 650 mil que o PMDB de Garotinho diz ter arrecadado.
A PF vai investigar o fato de que os nomes dos doadores de recursos para a campanha do peemedebista, conforme levantamento realizado junto ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas, são os mesmos de diretores de duas outras Organizações Não Governamentais (ONGs), o Instituto Nacional de Pesquisa e Ensino da Administração Pública (Inep) e o Instituto Nacional de Aperfeiçoamento da Administração Pública (Inaap). Há indícios, segundo fonte da PF, de que os diretores dos três institutos são os mesmos e atuam coordenados com os doadores privados da campanha de Garotinho. Luiz Antônio Motta Roncoli, sócio majoritário da Virtual Line, que fez doação de R$ 50 mil, aparece como diretor-presidente do Inep e integra, informalmente, a diretoria do Inaap. No Rio, a sede dos institutos também é integrada e funciona no quarto andar da Rua do Ouvidor, 90. Em 2005, o Inep recebeu da Fesp R$ 26,4 milhões.
O Inaap, que foi beneficiário de empenhos da Fesp que totalizaram R$ 18 milhões em 2005, tem em seus quadros Nildo Jorge Raja, que também figura como doador da pré-campanha de Garotinho. Ele é vice-presidente do instituto e sócio-gerente da Emprin, que doou R$ 200 mil ao PMDB.
O inquérito aberto pela PF atendeu ao pedido do Ministério Público Federal, que suspeita da existência de "sócios laranjas" nas doações ao PMDB.
PF abre inquérito para investigar institutos que apóiam Garotinho
Quinta, 27 de Abril de 2006 às 08:08, por: CdB