O ingresso da petrolífera OGX, a empresa do milionário Eike Batista, na Bovespa, nesta sexta-feira, bate a maior captação em ofertas iniciais de ações na história do mercado acionário brasileiro. Na abertura do mercado, as ações da companhia subiam 11%, com a aposta dos investidores nas perspectivas da empresa criada há menos de um ano, em um ambiente de alta expressiva nos preços do petróleo. O início dos negócios marca a maior oferta pública inicial de ações já realizada na Bovespa, com um volume de R$ 6,7 bilhões arrecadados.
- A procura (pelas ações da OGX) foi muito grande e provavelmente muitos investidores não foram atendidos. O pessoal ainda está acreditando que o preço está aquém da realidade. Com isso, nos primeiros dias as pessoas que não foram atendidas vão querer entrar. Mas, nos próximos meses, o desenrolar da operação da OGX, com contratação de sondas por exemplo, vai marcar o desempenho dos papéis - afirmou a jornalistas um dos analistas do Banco do Brasil Investimentos.
O preço unitário de reserva dos papéis chegou ao patamar de R$ 1.131 e, às 10h51, as ações operavam em alta de 11%, cotadas a R$ 1.250. Batista, presidente do conselho de administração da OGX, afirmou que a demanda total pelos papéis da companhia chegou a US$ 30 bilhões.
- Eu achava que (a demanda) poderia chegar a algo como US$ 20 bilhões, mas foi acima do que esperávamos - diz ele, na Bovespa, em evento de estréia das ações da empresa.
A OGX, além do sucesso no lançamento, é também a empresa de número 100 no Novo Mercado, em uma área de negócios que determina padrões mais rígidos de transparência e respeito aos acionistas.Autoridades em governança corporativa, pela manhã, cogitam até a realização de uma série de reformas nas regras para evitar defasagem em relação às melhores práticas internacionais. A Bovespa teria, inclusive, consultado estas empresas para um novo ajuste nas regras.
- Nenhuma alteração do regulamento pode acontecer se houver oposição de mais de um terço das empresas já listadas - ponderou aos jornalistas João Batista Fraga, diretor de relações com empresas da Bovespa.
Mauro Cunha, presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), no entanto, alerta que o dinamismo do mercado exige um aperfeiçoamento constante das regras.
- Não podemos ficar para trás. O Novo Mercado não é garantia de qualidade. A Bovespa tem que refletir sobre como coibir mecanismos que podem dar a volta nas regras - acrescentou.
Criado em 2001 com o objetivo de restabelecer o interesse dos investidores num mercado mundialmente conhecido pela falta de proteção aos minoritários, o Novo Mercado já passou por uma reforma em 2006, que ampliou os direitos a essa classe de acionistas.