Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Petróleo do pré-sal servirá para acabar com a miséria, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que o dinheiro obtido com a exploração do petróleo localizado na camada pré-sal será investido na educação e para reduzir a miséria do país. Descoberta pela Petrobras e parceiros em 2007, a chamada área pré-sal se estende por 800 quilômetros do Espírito Santo a Santa Catarina. (Leia Mais)

Sexta, 22 de Agosto de 2008 às 10:14, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que o dinheiro obtido com a exploração do petróleo localizado na camada pré-sal será investido na educação e para reduzir a miséria do país. Descoberta pela Petrobras e parceiros em 2007, a chamada área pré-sal se estende por 800 quilômetros do Espírito Santo a Santa Catarina e pode contar bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural). Uma comissão interministerial estuda o destino que será dado ao produto.

– Nós temos que usar esse petróleo para resolver um problema crônico de investimento na educação e para tirar esse atraso, e vamos usar parte desse dinheiro para resolver o problema dos miseráveis desse país, das pessoas que ainda não conquistaram cidadania – declarou o presidente em discurso durante a cerimônia do 20º aniversário da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), na noite passada.

O presidente Lula voltou também a dizer que o petróleo descoberto será do povo brasileiro.

– Esse petróleo não é da Petrobras, do Lula e de nenhum estado. É de 190 milhões de brasileiros – complementou.

Meta para 2008

Pelo quarto ano seguido a Petrobras não deve cumprir a meta de produção média programada para o ano, frustrando mais uma vez acionistas da empresa que já andam preocupados com as incertezas em relação ao pré-sal e às perspectivas para o preço do petróleo. De acordo com o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, a produção média da Petrobras deverá ficar em torno de 1,9 milhão de barris diários, mais próxima à faixa inferior da meta estipulada em 1,950 milhão de b/d, com uma variação de 2,5% para baixo ou para cima.

O desempenho, se confirmado, fica praticamente estável em relação à média de 1,918 milhão de b/d registrada em 2007. Os motivos, segundo o diretor, são desempenho abaixo do esperado em alguns campos e a estimativa muito otimista feita inicialmente que, segundo ele, "era mais um desafio do que uma meta", explicou.

– Esperamos um desempenho numa dada área e às vezes não acontece, como é o caso no campo de Golfinho, que se esperava um certo nível de produção e ele não se revelou. Esse ano poderá ocorrer o caso de a gente ficar mais próximo à faixa inferior. Mas vamos trabalhar para produzir o máximo possível – explicou Barbassa à agência inglesa de notícias Reuters.

Revisão de objetivos

A meta de 2008 já havia sido revista dos 2 milhões projetados no início do ano. Na revisão foi criada uma faixa de tolerância de 2,5% para cima ou para baixo. Além da frustração com o desempenho mais fraco dos campos, atrasos na chegada de equipamentos e a falta de foco por uma grande diversificação nos investimentos da companhia são apontados por analistas como fatores negativos de desempenho.

– Isso afeta a ação, é um 'guidance' que ela não consegue cumprir em um momento muito positivo para o setor. A gente poderia estar com uma receita adicional da venda desse petróleo a mais que não entra – avaliou Mônica Araújo, da corretora Ativa, ressaltando que isso vai obrigar a novos ajustes das projeções de lucro da companhia.

Nos cálculos da analista, para chegar ao menor patamar da meta, ou seja, 1,9 milhão de barris, a empresa teria que ter uma produção média nos próximos cinco meses de 1,961 milhão de barris diários, o que representaria uma alta de 6,6 por cento em relação aos primeiros sete meses do ano.

– Ela está sendo bastante otimista quando divulga a estimativa da produção...é uma empresa grande mas está abrindo várias frentes de crescimento, de projetos, e isso acaba dificultando – ressaltou.

Produção em alta

Apesar de ter previsão da entrada em operação de novas plataformas e aumento do desempenho das que entraram recentemente, a analista prevê que só no final do ano e começo de 2009 a produção volte a subir.

Para o analista do Banco do Brasil Investimentos Nelson Matos, a média da produção este ano ficará ainda menor, em torno de 1,850 milhão de b/d, devido ao atraso das entradas de algumas plataformas, cujos motivos não são divulgados.

– O risco vai ser se o petróleo cair abaixo US$ 100, porque vai ter que reduzir o preço dos derivados aqui dentro no médio prazo, para não abrir a porta para as importações. O campo não está dando o que esperava ou são as conexões (dos poços às plataformas) que estão demorando a ser feitas? – questionou Matos, que vê mais risco numa eventual queda do preço do petróleo para a companhia.

Já para Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, o erro começa com a meta otimista traçada pela companhia em meio a um mercado muito demandado por equipamentos, o que para ele faz parte do uso político que vem prejudicando o desempenho das ações da empresa na bolsa.

– Na Petrobras tem uma dose de otimismo que faz parte do governo atual, de anunciar coisas grandiosas e não cumprir – afirmou o especialista.

Golfinho e Mexilhão

Como exemplo ele cita o recuo das estimativas para os campos de Golfinho e Mexilhão, assim como o anúncio da auto-suficiência em petróleo em 2006, "e que não está se sustentando com o aumento das importações", disse Pires, prevendo um déficit de 8 bilhões de dólares para a balança comercial da Petrobras este ano.

– A situação só não está pior porque o petróleo continua com preço muito alto e esconde essas coisas, mas se lá na frente, em 2015, não tiver pré-sal, ou não for tudo isso que estão falando, vai ser muito pior – previu.

Tags:
Edições digital e impressa