Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Petroleiros criticam Dilma por convocar exército para proteger leilão

Sexta, 18 de Outubro de 2013 às 10:08, por: CdB
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Os petroleiros estão acampados em frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio, durante a greve
A decisão de convocar o exército para atuar na segurança do leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na licitação do pré-sal, recebeu críticas nesta sexta-feira de amplos setores dos movimentos sociais e dos petroleiros, em greve de protesto contra a venda de parte do petróleo brasileiros para exploração internacional. A greve dos empregados da Petrobras iniciada por tempo indeterminado na quinta-feira está ganhando força e já tem adesão de mais de 90% da força de trabalho, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP). Oficialmente, 40 das 46 plataformas da Bacia de Campos (responsável por mais de 80% da produção do petróleo do país) aderiram ao movimento, que protesta contra a realização do leilão do Campo de Libra, marcado para a próxima segunda-feira, e também por avanços nas negociações salariais. A segurança para o leilão, segundo a presidente da ANP, Magda Chambriard, "será reforçada devido ao risco de haver protestos violentos". Segundo a ANP, a segurança no entorno do Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, onde ocorrerá o leilão, na próxima segunda-feira, terá a participação de militares do Exército. – É obrigação nossa fazer esquema de segurança para todas as rodadas de licitação – alegou a diretora-geral, durante a cerimônia de posse do novo diretor da ANP Waldyr Barroso, ocorrida na tarde passada. Segundo Magda, mesmo com a possibilidade de manifestações violentas, o leilão está confirmado para segunda-feira. A área de Libra, que será oferecida na licitação, tem reserva estimada entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo. Onze empresas se habilitaram para participar do leilão. Segundo Magda, no pico, a área deve produzir 1,4 milhão de barris por dia, cerca de dois terços da produção total nacional atual (cerca de 2 milhões de barris). A área deve render à União, aos estados e municípios R$ 900 bilhões em 30 anos em royalties e partilha da produção, uma média de R$ 30 bilhões por ano, o mesmo valor gerado por todos os campos em produção no Brasil hoje. Apoio conservador Para a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), o movimento paredista mantido nesta sexta-feira, em todo o país, começa a incomodar os setores mais reacionários do capitalismo nacional. "Uma das maneiras mais eficazes de se medir a força de uma mobilização é avaliar como se dá sua repercussão na grande imprensa. Diante desta premissa, fica claro pra nós que a greve nacional da categoria petroleira, iniciada no último dia 17 de outubro, está incomodando muita gente", disse a FNP, em nota. "Foi assim na greve histórica de 1995, não teria por que ser diferente agora. Na noite de ontem, a abertura do Jornal da Globo foi um exemplo claro de que a imprensa burguesa – agente histórico do imperialismo e de qualquer medida que represente ataques à soberania nacional – está preocupada em garantir a realização do leilão de Libra – a maior privatização da história do país" diz o texto. "O apresentador da Rede Globo, Willian Waack, começou o telejornal reivindicando a presença ostensiva da Força Nacional e do Exército de Dilma no local em que será realizado o Leilão, no Rio de Janeiro. Disse, de maneira contundente e em tom de exigência, que a lei precisa ser garantida – discurso usado muitas vezes por agentes da repressão nos anos de chumbo da ditadura militar", acrescentou. Leia, a seguir, a íntegra do texto publicado pela FNP Ditadura e repressão que estão sendo reeditadas desde as jornadas de Junho, quando o povo foi às ruas. O envio de mais de mil homens das forças repressivas do Estado ao local do leilão foi um pedido do governador Sergio Cabral, atendido lamentavelmente pela presidente Dilma, uma das vítimas da ditadura e da mão de ferro do Estado. Mas o desfecho realmente repugnante do telejornal foi feito por um dos comentaristas mais reacionários da tevê brasileira: Arnaldo Jabour, que fez – em resumo – o seguinte comentário: “Essa greve é uma mistura de ideologia e interesses sindicais e burrices. Isso. Primeiro porque eles querem a volta da monopólio, é ignorância (…). O modelo não monopolista é ideal para o país, é mais dinâmico, é mais lucrativo (…). Dilma tem de governar o país como se guiasse uma carroça com dois cavalos: um rápido e moderno; e o outro, manco e velho. Sempre que ela tenta modernizar algo os velhos mancos sindicais ideológicos empacam. Talvez nem sejam cavalos e, sim, burros”. Além de ser um claro ataque aos trabalhadores e à soberania nacional, o comentário de Jabour é uma sucessão de equívocos e informações (propositalmente) falsas para confundir o povo brasileiro. Claramente, foi a Petrobrás que descobriu (sozinha!) o pré-sal; claramente, a Petrobrás tem condições (com a construção de outro ritmo de exploração) de não apenas operar, mas controlar a exploração do pré-sal sozinha e submetida a um plano nacional de investimentos em educação, saúde e transporte. Jabour tenta desconstruir tudo isso, assim como fazem setores governistas que ainda insistem em defender o leilão com o argumento de que é preciso parcerias. Lamentável que a presidente Dilma tenha como um dos principais aliados para realizar a maior privatização da história deste país uma das figuras mais reacionárias e repudiadas da grande imprensa, um claro representante da direita brasileira que sempre foi a responsável por realizar o desmonte dos patrimônios nacionais. Entretanto, agora é pelas mãos do atual governo, é pelas mãos de Dilma que o maior crime de lesa-pátria deste país pode ser desferido contra o povo. Os trabalhadores petroleiros estão vacinados contra os ataques da grande imprensa e, neste ano, ao contrário de 1995, tem a seu favor uma conjuntura em que as manifestações e greves carregam um grande apoio da população. O grito “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!” já está nas ruas. É hora de barrar o leilão de Libra e fortalecer a greve da categoria petroleira em defesa do petróleo brasileiro e por um ACT digno!
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