Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Petroleiro naufraga no mar da Espanha

O petroleiro Prestige, que estava à deriva na costa noroeste da Espanha há uma semana, com 70 mil toneladas métricas de petróleo, partiu-se ao meio e naufragou nesta terça-feira. Se os tanques se romperem, o acidente poderá se transformar em uma tragédia ambiental.

Terça, 19 de Novembro de 2002 às 11:42, por: CdB

O petroleiro Prestige, que está à deriva na costa noroeste da Espanha há uma semana, com 70 mil toneladas métricas de petróleo, partiu-se ao meio nesta terça-feira, em um acidente que, segundo avaliação de ecologistas, poderá resultar na maior tragédia ambiental de todos os tempos. O grupo WWF (Fundo Mundial para a Natureza) havia alertado que, no caso de todo o óleo a bordo do navio vazar, as conseqüências seriam duas vezes maiores do que as provocadas pelo Exxon Valdez na costa do Alasca, em 1989. O correspondente da CNN no local, Al Goodman, informou que os danos causados pelo petroleiro com bandeira de Bahamas já chegam a 90 milhões de dólares. Nos últimos dias, o óleo liberado pelo Prestige ao longo de uma área de 90 quilômetros quadrados causou a morte de milhares de peixes e pássaros. Vários outros vazamentos menores foram detectados ao longo da costa da Galícia, de acordo com o governo local. Ambientalistas disseram que as barreiras espalhadas pelo mar, no Oceano Atlântico, serão insuficientes para conter o óleo que começou a vazar após a ruptura do petroleiro. - É um desastre, é um desastre - repetia um pescador, inconsolável. Especialistas descreveram o derramamento como um dos mais difíceis de se controlar, por ser espesso, pesado e persistente, o que impossibilitava sua dispersão pelo mar. O governo da Galícia alertou que o óleo estava se espalhando para tão distante que até mesmo enseadas mais encravadas na costa seriam maculadas. A fim de proteger as indústrias da pesca e do turismo contra danos ainda maiores, a Espanha e também Portugal espalharam barreiras pelo mar e proibiram as equipes que tentavam salvar o Prestige de levar o navio para um dos portos. A região é conhecida como "costa da morte", devido ao grande número de naufrágios. Uma grossa camada de óleo cobriu as praias da Galícia "Já vimos acidentes antes, mas nenhum como este", comentou um pescador na cidade de Camelle, ouvido pela Associated Press. "Se peixes demais morrerem, será a vida marinha voltará?" Na segunda-feira, dois cabos-de-guerra espanhóis tentaram empurrar o petroleiro para uma área o mais distante possível da costa. Quando se partiu, o navio estava a cerca de 130 quilômetros das praias da Galícia. A Espanha e a União Européia criticaram as autoridades da Letônia, onde a embarcação recebeu a maior parte de sua carga, e da Grã-Bretanha, que tem jurisdição sobre Gibraltar, para onde se supõe que o Prestige estava seguindo. Os britânicos negam que Gibraltar fosse o destino do navio. Ainda assim, foram acusados, juntamente com os letões, de não seguir as normas de segurança à risca. O capitão do navio, um grego que está detido em La Coruña, foi acusado de deixar de colaborar com as equipes de salvamento após emitir um pedido de socorro. A costa noroeste da Espanha sofreu com vários acidentes com petroleiros nos últimos anos, o pior em dezembro de 1992, quando o navio grego Mar Egeu derramou 60 milhões de litros de óleo cru perto de La Coruña.

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