A Petrobras planeja vender uma participação de 15% no gigantesco campo de petróleo de Jubarte e as tradings japonesas Mitsui & Co. e Sumitomo Corp. estão superando oferta da Mitsubishi Corp. na corrida pelo negócio, disse o gerente-geral do escritório da estatal em Tóquio, Osvaldo Kawakami. As três companhias estão também fazendo ofertas para o financiamento e o desenvolvimento da segunda fase do projeto Jubarte, informou Kawakami nesta quinta-feira.
O campo de Jubarte tem reservas estimadas de cerca de 600 milhões de barris de petróleo pesado.
- Temos uma lista de pré-selecionados e estamos analisando três propostas. O Mitsubishi pode ter menos chances. A proposta dele é diferente da feita pelo Mitsui e pelo Sumitomo. Depois de analisarmos as propostas, vamos começar as negociações - afirmou o executivo da Petrobras.
Kawakami afirmou que uma das empresas ficará com a participação de 15% e os 85% restantes serão da Petrobras. A petrolífera brasileira convidou apenas empresas japonesas para realizarem ofertas por Jubarte.
- Acreditamos que elas têm a capacidade de fazerem financiamentos sob condições competitivas de mercado - disse Kawakami.
Ele não comentou o valor específico de um possível acordo. No início de outubro, o presidente-executivo da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, informou que os investimentos no campo Jubarte, localizado na bacia de Campos, poderiam chegar a cerca de US$ 3 bilhões. Empresas japonesas de investimentos têm injetado bilhões de dólares em ativos de produção de gás e petróleo ao redor do mundo e seus lucros têm sido recordes por causa de sua elevada exposição em recursos naturais, o que inclui metais e carvão.
Kawakami informou que a Petrobras vai precisar de mais tempo para fechar o negócio por causa das diferentes avaliações do campo de Jubarte.
- Vemos grandes diferenças nas avaliações deles e nossas. Cerca de US$ 6 a US$ 7 (por barril), até US$ 10. Neste momento, é difícil para nós e para as empresas japonesas solucionar a diferença porque o preço do petróleo não está muito estável - disse o executivo.
O indicador dos futuros do petróleo nos Estados Unidos tem passado por grande volatilidade nos últimos anos. Os preços subiram para um recorde de quase US$ 71 o barril no final de agosto e desde então caíram mais de US$ 6, para US$ 64 nesta quinta-feira. Apesar disso, eles ainda estão 50% mais altos que no final de 2004.
Uma avaliação em termos de dólar por barril de Jubarte pode ser menor do que em outros campos porque o petróleo na região é pesado, disse Kawakami, sem informar o nível de densidade do óleo do local.