A Petrobras começa em dezembro a procurar petróleo em águas profundas no Mar Negro, na Turquia. O acordo da empresa brasileira com a turca TPAO foi ratificado nesta sexta-feira, no Palácio Presidencial, na presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Turquia, Abudullah Gül. As negociações começaram em 2006 e já consumiram US$ 130 milhões em estudos de dois blocos. Mais US$ 630 milhões serão gastos no aluguel por três anos de uma sonda norueguesa, que deve chegar em dezembro. A Petrobras cederá o equipamento por seis meses à TPAO, que pagará um sexto do valor.
O Mar Negro é considerado uma das últimas fronteiras do petróleo no mundo, por ser pouco explorado. A opção dos turcos pela Petrobras se deve à tecnologia da empresa brasileira na exploração em águas profundas. A estimativa é de que o petróleo esteja a cerca de mil metros de profundidade e a 230 quilômetros da costa. Até o fim do próximo ano, devem ser gastos mais US$ 250 milhões, o que eleva orçamento do projeto ao patamar de US$ 1 bilhão de dólares.
Em entrevista no Palácio Presidencial, ao lado de Abudullah Gül, Lula disse que a necessidade de investir na camada pré-sal no Brasil não é motivo para a Petrobras deixar de buscar parcerias a fim de prospectar petróleo em outras regiões do planeta. Segundo ele, o fato de a Petrobras já ter se certificado da existência de petróleo no pré-sal é mais um motivo para continuar investindo em pesquisas em outros lugares.
– Estamos avançando porque nosso investimento em pesquisa passou de US$ 500 milhões para US$ 2 bilhões – afirmou.
Lula afirmou que se houver possibilidade de o país fazer associações com outras empresas pelo mundo, isso será feito.
– Queremos ser a primeira de petróleo. Ficamos muito tempo sem fazer investimento – disse.
Lula recebeu do presidente turco a cópia de um acordo de amizade assinado na Turquia pelo imperador Dom Pedro II, em 1858. Por coincidência, destacou Gül., uma das assinaturas no acordo era de um brasileiro chamado Inácio. O presidente turco apresentou Lula à imprensa turca como “um dos estadistas mais respeitáveis e conhecidos no mundo”.