Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Petrobras reduzirá volume de gás comprado da Bolívia

Quarta, 07 de Janeiro de 2009 às 16:57, por: CdB

A Petrobras vai reduzir temporariamente a compra de gás natural da Bolívia depois que as usinas termelétricas movidas a gás no Brasil foram desligadas para dar lugar à geração de menor custo das usinas hidrelétricas, que estão operando em níveis elevados devido às chuvas.

A estatal afirmou que a redução da importação não entra em conflito com o acordo assinado em 1999 entre os governos do Brasil e da Bolívia, pelo qual a Petrobras é obrigada a pagar por 70% do volume total contratado (30 milhões de metros cúbicos por dia) mesmo que não utilize o combustível, prática conhecida como "take or pay".

A empresa vai reduzir a compra de gás boliviano porque "está impedida de gerar energia elétrica (em térmicas) na região Sudeste pelo Operador Nacional do Sistema (ONS)", de acordo com a assessoria de imprensa da Petrobras, uma vez os recursos hidrelétricos são abundantes e mais baratos no momento.

A informação sobre o corte da importação de gás havia sido confirmada mais cedo à Reuters pelo secretário adjunto de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, João Souto, que avaliou ser positivo para o país a redução de compra do gás boliviano neste momento.

- As térmicas a gás estavam sendo acionadas sem necessidade. Assim, você ajuda a mandar menos dólares para a Bolívia, ajuda na balança comercial - disse Souto.

O desligamento das usinas térmicas a gás corresponde a um volume de geração de energia de 3,5 mil megawatts e será comunicado oficialmente na sexta-feira, na reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico.

Queda no volume e preço

O volume de gás boliviano que deixará de ser comprado corresponde a cerca de 30% do total de 30 milhões de metros cúbicos diários, mas, segundo Souto, isso dependerá do comportamento diário de mercado.

- A Petrobras tem que pagar por 70% do gás, o resto é flexível, o que importa é a média do mês... pode ser que um dia compre 24 (milhões de metros cúbicos) e outro dia 19 (milhões de metros cúbicos), vai depender do mercado - informou.

Souto disse ainda que, além da redução de volume, o governo espera queda em torno de 20 por cento no preço do gás natural boliviano, que é ajustado trimestralmente por uma fórmula que inclui uma cesta de preços de petróleo.

- Pela primeira vez em muito tempo a fórmula vai para baixo, porque o petróleo só vinha subindo - explicou o secretário, ressaltando que apesar de o preço ter despencado há meses, o impacto custa a chegar ao consumidor.

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