A Petrobras informou no início da noite desta quarta-feira que recorrerá da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) que obrigou a empresa a retomar o abastecimento do combustível a postos de gasolina e indústrias do estado.
— Nós vamos recorrer sim. Entendemos que temos este direito — disse a diretora de gás e energia da estatal, Graça Silva Foster em entrevista coletiva. A executiva lembrou também que a Petrobras vinha repassando às distribuidoras mais gás do que o previsto em contrato.
Corte de 17%
Na quarta-feira, a empresa havia anunciado um corte de 17% no fornecimento de gás natural para a Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro (CEG), que pegou de surpresa os taxistas do Rio - a maioria deles usa o Gás Natural Veicular como combustível - e também indústrias como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a alemã Bayer.
A medida também afeta clientes da Comgás, em São Paulo, onde o gás natural será substituído por óleo combustível. No Estado, clientes residenciais e os postos de combustíveis não devem ser afetados pela redução no fornecimento.
Enquanto não sai a decisão, porém, a empresa está cumprindo a determinação da Justiça, tendo retomado o abastecimento "normal" no início da tarde. De acordo com o diretor de grandes clientes da CEG, Hugo Aguiar, a redução afetou principalmente os municípios de Duque de Caxias e Japeri. As regiões da Zona Sul, Centro, São Cristóvão e Benfica da capital foram as mais prejudicadas.
Terméletricas
De acordo com a empresa, a redução no fornecimento às distribuidoras foi necessária por conta do termo de compromisso assinado entre a Petrobras e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para garantir o fornecimento para as usinas termelétricas que geram energia a partir do gás natural - que voltarão a funcionar, por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.