A camisa do Boca Juniors, que há dois anos ostenta o logotipo da Pepsi, poderá apresentar um novo patrocinador a partir de 31 de janeiro: a estatal brasileira Petrobras. A iniciativa da companhia petrolífera faria parte da agressiva estratégia de imposição de marca na Argentina, pela qual, somente para a abertura de um posto de gasolina com bandeira própria no aeroporto Ezeiza, em que diariamente circulam 10 mil pessoas, a companhia investiu US$ 1,5 milhão.
E a intenção é atacar em diversas áreas: a marca Petrobras já está na camisa do clube de futebol Racing, assim como nos carros dos pilotos Pato Silva, Guillermo Ortelli e Martín Basso, que competem na categoria local Turismo Competição 2000.
Além disso, a companhia brasileira já patrocinou os artistas argentinos Diego Torres, Los Nocheros e Luciano Pereira, e agora a mira volta-se ao mais tradicional clube de futebol argentino.
O contrato de patrocínio da Pepsi com o Boca, fechado na época da forte desvalorização cambial ocorrida na Argentina no fim de 2001, foi renovado em janeiro deste ano, por 4,5 milhões de pesos (US$ 1,6 milhão). A transação prevê a manutenção do patrocínio exclusivo somente enquanto não surgir uma proposta alternativa similar. E é isso o que tem buscado, nas últimas semanas, o presidente do clube, Mauricio Macri.
Esta semana, Macri conversou com Miguel Altuna, presidente da fabricante de laticínios SanCor, que ficou de apresentar uma proposta. Outra interessada seria a fabricante de pneus Goodyear, que buscaria reforçar sua posição no mercado local, depois de concentrar a fabricação no Brasil. Mas estima-se que a negociação mais avançada é com a Petrobras.
A companhia brasileira estaria interessada no mesmo tipo de contrato estabelecido entre Boca e Pepsi, que inclui logotipo em camisas, publicidade estática no estádio La Bombonera e apoio à e quipe de basquete.
Nesta quarta-feira, na abertura do fórum anual do Latibex, em Madri, o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, confirmou que a companhia vai investir US$ 34,3 bilhões até 2007, sendo 85% do montante no Brasil e o restante nos demais oito países em que opera por meio da Petrobras Energia.
Estima-se que a Petrobras Argentina receberia aportes de algo entre US$ 300 milhões a US$ 400 milhões anualmente.