O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou estranheza ao fato de a Petrobras não ter participado do primeiro leilão de campos de petróleo de São Tomé e Príncipe, realizado há uma semana. Já o presidente santomense, Fradique Menezes, admitiu ter ficado 'decepcionado' com a ausência da estatal brasileira na venda dos nove blocos, que renderá ao país cerca de US$ 500 milhões.
- Sempre tenho dito que as empresas brasileiras não devem ter medo de se transformarem em multinacionais - recordou Lula.
- A Petrobras tem tecnologia para competir com qualquer empresa do mundo, especialmente na prospecção em profundidade - declarou.
O petróleo do Brasil e o de São Tomé têm em comum o fato de estarem em águas profundas.
Lula disse que, ao voltar ao Brasil, ia informar-se com a estatal sobre 'qual a lógica' de não ter entrado no negócio, que atraiu gigantes como a Exxon-Mobil e a Chevron-Texaco. Mas ressalvou que não cabe ao governo decidir se a empresa participa ou não de leilões.
Essas declarações foram feitas no Palácio do Povo. Mais cedo, na inauguração da Embaixada do Brasil em São Tomé, Lula observou que, 'se for verdade' que o país tem todo esse petróleo que se estima, 'daqui a alguns anos, pode se tornar um dos países de maior renda per capita do mundo'. A ilha de mil quilômetros quadrados tem apenas 176 mil habitantes.
O presidente de São Tomé declarou esperar que a estatal brasileira dispute o próximo leilão, que deve ser realizado dentro de seis meses.
As áreas são compartilhadas com a Nigéria, que divide o mar territorial com São Tomé e Príncipe. Do leilão anterior, 60% do dinheiro arrecadado vai para a Nigéria e 40% para São Tomé.
Petrobras não participa de leilão de campos petrolíferos em São Tomé
Domingo, 02 de Novembro de 2003 às 23:08, por: CdB