Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Petrobras garante que crise da Bolívia não ameaça gás no Brasil

Segunda, 08 de Setembro de 2008 às 14:37, por: CdB

A Petrobras não está preocupada com um eventual agravamento da crise boliviana e uma consequente restrição no envio de gás natural para o Brasil. Segundo a diretora de Gás e Energia da estatal, não existem sinais de que haverá problemas de fornecimento.

- Não conheço supridor mais confiável do que o boliviano... a Petrobras acredita no bom senso da Bolívia, é uma questão de política interna - afirmou Maria das Graças Foster a jornalistas nesta segunda-feira, referindo-se aos problemas enfrentados por Evo Morales nas últimas semanas.

Segundo afirmou o presidente boliviano na sexta-feira passada, a oposição de direita do país estaria organizando um "golpe de Estado civil". A Bolívia envia 31,74 milhões de metros cúbicos diários ao Brasil e, segundo Maria das Graças, "o Brasil não pode abrir mão de nem um milhão" dessa carga.

A executiva explicou que o Brasil está produzindo internamente 61 milhões de metros cúbicos e, com o volume vindo da Bolívia, o mercado brasileiro está plenamente abastecido.

Ela descartou a utilização de Gás Natural Liquefeito (GNL) para abastecer o mercado numa eventual falta de gás natural boliviano. Explicou que em caso de crise, seria acionado o plano de contingência da estatal, "que está pronto desde 2004", destacou sem dar detalhes.

- Se acontecer (o desabastecimento) não seria o GNL que poderia resolver - disse a diretora, lembrando que o único terminal de GNL da empresa, inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto, no Ceará, ainda está em período de teste.

- Estamos nos últimos acabamentos do terminal, só vamos trazer o navio (com carga de GNL) quando houver demanda econômica... esse é nosso primeiro ano e vamos testar - esclareceu.

A partir do ano que vem, uma eventual suspensão do fornecimento da Bolívia poderá ser amenizada com a entrada em operação dos terminais do Ceará, no porto de Pecém, e outro na baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, totalizando uma oferta de 27 milhões de metros cúbicos de GNL.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também disse que os problemas internos na Bolívia por enquanto não preocupam o governo.

- Não vemos motivos para alarde. É claro que se houver problema teremos medidas emergenciais. Além do GNL, temos um parque industrial flexível (bicombustível), temos margem de manobra - disse Tolmasquim, salientando que a frota de veículos a gás também é bicombustível.

Pré-sal

A experiência que vem sendo obtida com a implantação dos terminais para regaseificar o GNL importado pelo Brasil está sendo útil também nos estudos que a Petrobras vem fazendo para a utilização do gás natural existente nas reservas pré-sal da bacia de Santos.

Ainda sem uma estimativa sobre o volume de gás do pré-sal - "o que falarem por aí é mentira, não há como saber ainda" -, Graça explicou que a liquefação do combustível em alto-mar está sendo avaliada, já que esta seria possivelmente a forma mais econômica de resolver o escoamento do produto, como a diretora já havia antecipado à Reuters.

- Nós estamos trabalhando é na otimização da infra-estrutura em que consideramos a possibilidade de ter uma unidade flutuante de GNL, inclusive para atender o mercado doméstico - informou a diretora.

- Para que buscar gás na Nigéria, Catar, se o gás é meu e está a 300 quilômetros da costa? - perguntou.

Para os terminais que estão sendo construídos - Ceará e Rio de Janeiro - a Petrobras tem feito acordos para compra futura de GNL com esses e outros países. Segundo Maria das Graças, o Brasil poderia inclusive exportar esse GNL, no mercado spot (à vista).

- Cria-se um mercado doméstico ainda mais flexível, se estou num grande volume de gás e com chuva, vou para o mercado spot - explicou, referindo-se à menor necessidade de gás natural para as térmicas quando o Brasil está com as hidrelétricas operando normalmente.

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