Nesta semana, a Petrobras acertou duas vezes. O 1º gol foi dado pela BR-Distribuidora, sua subsidiária com mais de 7 mil postos de combustíveis no país. Ao lado da bandeira Ipiranga, que comprou recentemente, ela deve anunciar hoje redução nos preços tanto da gasolina, quanto do etanol, em cerca de 3 mil revendas no Estado de São Paulo.
O 2º gol da maior estatal do continente é o seu pedido à Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) por mudanças no setor ferroviário para que ela possa transportar mais cargas. A Transpetro, subsidiária da Petrobras no setor, quer que a ANTT leve as concessionárias de ferrovias a divulgarem quanto usam por mês, de cada trecho ferroviário. A idéia é impedir monopólio e abusos no sistema ferroviário, exigindo práticas concorrenciais justas e novas normas para a área.
Quanto a redução dos preços dos combustíveis, segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, a decisão da BR-Distribuidora/Ipiranga é uma reação a “um puxão de orelha” dado pela Petrobras, que estaria atuando como um fiel da balança no mercado, pressionando os preços para baixo.
Petrobras pressiona os preços para baixo
A previsão é de que com esta baixa nas redes das duas distribidoras é apenas questão de tempo para que as demais sejam forçadas a derrubar seus preços e seguir odas concorrentes ligadas à estatal. Longe de ser irresponsável, esta redução se justifica pois já estamos no fim do período da entressafra da cana e, no cenário internacional, há a tendência de retração no preço do petróleo.
O preço do álcool já vinha caindo nas usinas devido ao aumento da oferta que se iniciou com a moagem da cana no Centro-Oeste (leia mais). A boa notícia agora chega ao consumidor. No Rio de Janeiro, postos já reduziram seus preços de etanol em 10,3% depois de registrar aumentos de até 25,62% nos últimos cinco meses.
É bom lembrar que o Ministério de Minas e Energia já estava pressionando para que a Petrobras aumentasse sua participação na produção de etanol, para atuar como um elemento regulador dos preços do mercado.
Semana passada, Miguel Rossetto, presidente da Petrobras Biocombustíveis, afirmou que o governo pretende fazer um novo marco regulatório para o etanol e o biodiesel, cabendo à Petrobras um papel decisivo na questão, inclusive em função dos investimentos que fará no setor. “O mercado do etanol cresce 10% ao ano e vamos ocupar parte disso, ampliar o abastecimento e, também, crescer em alcoolquímica", afirmou Rossetto.
Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026
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