Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Petrobras descarta participação em campo de gás na Venezuela

Terça, 13 de Novembro de 2007 às 18:50, por: CdB

A assessoria de imprensa da Petrobras confirmou nesta trerça-feira a informação divulgadas por agências internacionais de notícias, e atribuída ao presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, de que desistiu de participar de projeto de investimento na exploração e produção do campo de gás natural de Mariscal Sucre, na Venezuela.

As diferenças de opinião sobre os objetivos e a forma de desenvolvimento e comercialização do campo, cuja produção deverá chegar a 18 milhões de metros cúbicos diários, a partir de 2010, já haviam sido admitidas pelo diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. A principal delas dizia respeito à forma de comercialização das reservas: os venezuelanos pretendiam vender a maior parte para o mercado interno, a preço subsidiado, enquanto a estatal brasileira pretendia chegar ao mercado externo, onde o gás natural liquefeito (GNL) daria maior retorno comercial.

A declaração em que descarta a participação brasileira no empreendimento foi dada pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, em Roma,onde participa de Congresso Mundial de Energia, e confirmada pela assessoria de imprensa, que  lembrou a manutenção de outros projetos conjuntos com a estatal venezuelana PDVSA. Entre eles, citou a construção da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, que poderá processar o óleo pesado do campo de Carabobo, na faixa do Rio Orinoco, e o do campo de Marlim, na Bacia de Campos (RJ).

A princípio, o empreendimento envolve a criação de uma empresa de capital misto, em que a Petrobras teria 40% de participação na parte venezuelana do empreendimento, enquanto a PDVSA teria os mesmos 40% de participação na refinaria a ser construída no Brasil.

Na avaliação do professor Giuseppe Bacoccoli, especialista em petróleo da Coordenadoria dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), essas desavenças refletem, mais do que a discordância sobre a forma de comercialização do gás natural, um processo de fechamento gradativo dos mercados de petróleo e gás em várias partes do mundo, "depois do movimento liberalizante das empresas em busca de financiamentos externos das grandes corporações".

Para Bacoccoli, vive-se agora um processo inverso que não mais utiliza como argumento o monopólio estatal, mas sim o do temor de que os grandes grupos estrangeiros levem para fora desses países o petróleo por eles explorado e produzido.

— Na prática, o que se vê é a criação de dificuldades como as da Venezuela para o projeto Mariscal. Primeiro, com a Shell, que foi mandada embora depois de ter investido na construção do projeto de exploração da jazida. E agora também foram criadas dificuldades para a Petrobras —, citou.

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