Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Petrobras capta empréstimo em plena crise e diz que sabe como sobreviver

A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira, que assinou contrato de financiamento de 75 bilhões de ienes, cerca de US$ 750 milhões, com um grupo de bancos japoneses e a agência de fomento à exportação do Japão, Nexi. (Leia Mais)

Sexta, 12 de Dezembro de 2008 às 09:29, por: CdB

A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira, que assinou contrato de financiamento de 75 bilhões de ienes, cerca de US$ 750 milhões, com um grupo de bancos japoneses e a agência de fomento à exportação do Japão, Nexi. A operação feita em plena retração mundial de crédito tem prazo de dez anos e se destina a financiar o programa de investimentos da refinaria Henrique Lage (Revap), localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O programa tem por objetivo aumentar a capacidade de processamento de óleo pesado, melhorar a qualidade do diesel e da gasolina produzidos, e diversificar o conjunto de produtos processados, informou a Petrobras em um comunicado.

– É a última (captação) deste ano, já é 'pré-funding' para 2009. Vamos terminar o ano com 8 bi e pouco (bilhões de dólares) captados – explicou à agência inglesa de notícias Reuters o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa.

A Petrobras informou no início da semana que até aquela data havia captado US$ 7,5 bilhões ao longo do ano. Com o novo empréstimo, o volume de recursos obtidos sobe US$ 8,25 bilhões, em grande parte junto a agências de fomento. Barbassa explicou que o mercado está fechado para outros instrumentos de captação, como debêntures, por exemplo. A Petrobras tem um registro pré-aprovado junto à Securitie Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, para emitir debêntures.

– Temos registro de prateleira na SEC, podemos emitir de um dia para outro... nosso limite gira em torno de US$ 6 bilhões. O mercado atual não indica que está aberto a isso (debêntures), mas estamos acompanhando e no dia que tiver oportunidade a gente faz – informou.

No próximo dia 19, o Conselho de Administração da Petrobras se reúne para aprovar os planos de investimentos da companhia para os próximos cinco anos. No plano anterior, para o período 2008-2012, a previsão de investimentos era de US$ 112,4 bilhões. Segundo os executivos da companhia, não haverá redução de recursos.

Habilidade

A Petrobras vai demonstrar sua habilidade de investir em tempos turbulentos, segundo palavras do presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, em entrevista exclusiva ao diário britânico Financial Times publicada, nesta sexta-feira. A empresa anuncia, nesta sexta-feira, seu plano quinqüenal, depois de um atraso de três meses causado pela crise de volatilidade dos mercados, diz o jornal.

O plano deve trazer detalhes sobre como a Petrobras deverá explorar as reservas de petróleo da camada pré-sal que, segundo o jornal, “representam uma das poucas oportunidades para qualquer empresa de petróleo do mundo de garantir reservas substanciais nos próximos anos”.

"A empresa lança planos quinqüenais todos os anos e uma de suas marcas registradas é a estimativa conservadora do preço do barril do petróleo", diz o FT.

Mas "neste ano", segundo o jornal, "esse dado pode não aparecer".

"A Petrobras estava executando projetos elaborados em planos anteriores, baseados em petróleo a US$ 16 o barril. O plano atual calcula um barril a US$ 35 – apenas US$ 10 a menos do que os preços atuais, mas menos do que um quarto dos preços de pico, poucos meses atrás."

"Chegamo a um preço", diz Gabrielli na entrevista, "mas não decidimos ainda se ele (o preço) será revelado ou não".

Gabrielli disse ao FT que todas as operações atuais são lucrativas, mas ele admitiu que “a Petrobras alterou suas prioridades em relação aos campos pré-sal e está se concentrando em maximizar o fluxo de caixa a curto prazo, ao mesmo tempo em que tenta avançar nos projetos a longo prazo”.

O jornal indica que uma estratégia pode ser iniciar a exploração pelos campos de acesso mais fácil, como os da costa norte, que estariam a apenas 80 km da costa e embaixo de campos já existentes. O FT diz ainda que a Petrobras é uma empresa com poucos débitos e que, apesar das dúvidas sobre sua capacidade de investimento, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, "insiste que a empresa continuaria com os planos de construir quatro refinarias para permitir a exportação de produtos com valor agregado, em vez de apenas o petróleo leve da camada pré-sal".

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