A nacionalização do gás boliviano, decretada em maio pelo presidente Evo Morales, reverteu a privatização das reservas feita na década de 90. Com a medida, o governo atende a determinação da Lei de Hidrocarbonetos, aprovada há dois anos. A principal empresa que explorava as reservas privatizadas, a estatal brasileira Petrobras conseguiu garantir, mesmo com a renacionalização, 90% de seus investimentos.
A assinatura, no último domingo, dos novos contratos para exploracão das reservas, agora nacionalizadas, a Petrobras assegurou US$ 1,5 bilhão do US$ 1,6 bilhão que a empresa investiu no pais vizinho. A avaliação é do presidente da Petrobras na Bolívia, José Fernando de Freitas.
O US$ 1,5 bilhão refere-se a US$ 800 milhões na exploracão e no desenvolvimento dos campos de gás e US$ 700 milhões no transporte do produto, por meio de gasodutos. Os US$ 100 milhões que ainda não estão garantidos referem-se ao investimento que a Petrobras fez na aquisição das duas maiores refinarias de petróleo do país, em Cochabamba e Santa Cruz.
No último domingo, em cerimônia em La Paz, o presidente Evo Morales celebrou a promulgação, pelo Congresso do país, de 44 contratos de exploracão de gás e petróleo, com 12 empresas estrangeiras.
Os novos documentos são uma consequência da nacionalização do gás e do petróleo bolivianos, decretada por Morales em 1º de maio. Por 30 anos, as empresas passam a destinar 50% das receitas de suas operações para o Estado boliviano, e os 50% restantes servem para garantir um retorno mínimo para suas despesas e investimentos, divididos com a estatal boliviana de petróleo, a YPFB.
Na avaliação da Petrobras, a conta fecha, e a remuneração prevista para a empresa é suficiente para garantir que ela não terá prejuízos.
- Os investimentos que ainda não foram amortizados serão recuperados, e ainda haverá uma margem de ganho que pode, no futuro, significar novos investimentos, o que ainda não é previsto -, diz Freitas.
A Petrobras garantiu com os contratos, assinados no último dia 28 de outubro, e agora aprovados pelo Congresso boliviano, a exploracão dos dois maiores campos de gás em atividade no país: San Antonio e San Alberto. Segundo o presidente da Petrobras Bolívia, esses dois campos são responsáveis por 70% da produção de gás do país vizinho.
- Com isso, está garantida a confiabilidade e a segurança no fornecimento para o Brasil -, afirma ele.
Segundo a Petrobras Bolívia, o Brasil importa hoje do país vizinho cerca de 26 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A Petrobras é, hoje, a maior empresa em operação na Bolívia. Responde por cerca de 25% da arrecadação de impostos do governo boliviano e por 18% do Produto Interno Bruto (o total de riquezas produzidas em um ano) do país.
Petrobras avalia que garantiu 90% dos investimentos na Bolívia
Quarta, 06 de Dezembro de 2006 às 17:41, por: CdB