A Petrobras não teme enfrentar, no Equador, os mesmos problemas vividos na Bolívia após a nacionalização do setor de hidrocarbonetos, apesar da vitória de Rafael Correa, de tendência socialista. Segundo o diretor da área internacional da empresa, Nestor Cerveró, as operações equatorianas, além de menores, envolvem apenas petróleo, cujos contratos e mercado são bem distintos da experiência boliviana.
- No Equador a situação é outra, não somos o principal investidor como na Bolívia, temos apenas dois blocos de produção, nada se compara com à Bolívia - disse ele a jornalistas, nesta quinta-feira.
Cerveró também informou que o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, esteve com Correa na semana passada. Segundo ele, em nenhum momento o clima foi de ameaça.
- Por enquanto não existe o anúncio de nenhuma informação oficial, nós temos um acordo de cooperação com o Equador, que eu assinei, e por enquanto a situação está tranqüila - garantiu.
Cerveró acenou com a intenção de aumentar a presença no país onde atualmente produz em apenas dois blocos 30 mil barris diários de petróleo pesado. Os ativos foram herdados da antiga Pecom Energia, empresa adquirida pela Petrobras e 2002, e que investiu desde 1997 cerca de 500 milhões de dólares no Equador.
- É diferente da Bolívia, que foi a Petrobras que investiu tudo. Nós herdamos esse investimento, mas vamos investir mais - antecipou.
Os planos são de aumentar para 40 mil barris diários em 2007 e atingir 60 mil assim que recebam autorização para desenvolver a produção em uma área localizada em um parque indígena (bloco 31). Os investimentos previstos são de US$ 300 milhões até 2008. Ainda segundo o diretor, na Bolívia a meta é voltar a investir para aumentar a produção de gás, já que agora, segundo Cerveró, existem condições para a retomada de projetos anteriores à crise.
- Agora a condição do contrato prevê uma rentabilidade que é adequada para o nosso negócio, e tem o mercado de gás brasileiro para ser atendido", justificou. "O gás já foi descoberto lá, não é exploração, é só desenvolvimento da produção, e isso tem custo menor - afirmou.
A Petrobras pretende ainda investir, ano que vem, no projeto de duplicação da refinaria de Pasadena, adquirida em Houston, nos Estados Unidos, de 100 mil para 200 mil barris diários processados, ao mesmo tempo em que irá melhorar a qualidade da produção e adaptar a unidade para o pesado petróleo brasileiro, sem contar com a aplicação de 36% dos US$ 2,2 bilhões programados para 2007 na América Latina.
A companhia tem, ainda, 267 blocos de exploração na parte norte-americana do Golfo do México e pode adicionar mais 30 até o final do ano. A produção hoje, no entanto, não chega a 10 mil barris diários, com previsão de chegar a 60/70 mil barris diários até 2011. A busca por refinarias no exterior continua em 2007, informou Cerveró, e existem planos de aumentar a presença da Petrobras tanto nos EUA como na Europa, possivelmente no setor de distribuição de combustíveis.
- Queremos levar nossa marca a esses mercados e estamos olhando oportunidades, podemos comprar distribuidoras ou rede de postos - disse Cerveró.