A primeira parte do relatório final da CPI da Biopirataria, liberado na semana passada, teria confirmado um esquema em que filiados e parlamentares do PT, em troca de doações para campanha, facilitavam a extração de madeira ilegal no Estado do Pará. Segundo a revista Veja, o chefe do esquema seria Marcílio Monteiro, gerente executivo do Ibama no Estado, que foi indicado ao cargo pela sua ex-mulher, a senadora Ana Júlia Carepa, do PT.
A investigação teria mostrado que o dinheiro pago pelo madeireiros era depositado em uma conta bancária da assessora da senadora, Maria Joana da Rocha Pessôa. Uma quantia maior do que R$ 2 milhões teria sido movimentada durante o ano de 2004, valor 16 vezes maior que a renda da senadora. O volume de dinheiro que passava pela conta de Maria Joana seria muito mais intenso durante a época das eleições.
De acordo com a revista, com a quebra de sigilo telefônico, teria sido possível identificar quase cem telefonemas da assessora da senadora para empresas do setor madeireiro, todas envolvidas no esquema, batizado de "esquema da Safra Legal".
Estima-se que a extração ilegal aconteceu de novembro de 2004 a abril de 2005 e que mais de 220 mil metros cúbico de madeira tenham sido retirados ilegalmente.
O relatório pediria o indiciamento de sete pessoas: Chiquinho do PT, candidato a prefeito em Anapu e Leivino Ribeiro de Souza, seu caixa de campanha; Elielson Soares de Farias, ex-gerente do Ibama em Altamira, indicado pelo PT; Sílvio César Costa de Lima, caixa de campanha de candidatos do partido na região da Transamazônica; e Bruno Kempner, executor do Incra na cidade de Altamira, também indicado ao cargo pelo partido.
Também teria sido pedido o indiciamento da engenheira florestal Sidiane Costa de Lima, acusada de assinar laudos falsos e de Gracilene Lima, sócias da empresa que coordenou o esquema Safra Legal.