A temperatura da disputa entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus principais adversários, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido da Frente Liberal (PFL) vai aumentar nos próximos dias. No arsenal de ambos constam desde as manifestações populares, no caso do PT, a debates no campo parlamentar e factóides para a imprensa, ao estilo do pefelista Cesar Maia.
A largada desta nova fase no enfrentamento entre aliados do governo e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconteceu até a madrugada desta sexta-feira, em São Paulo, onde cerca de 800 sindicalistas de todo o país fizeram uma manifestação de apoio ao PT e ao governo Lula, na quadra do Sindicato dos Bancários, logo após o discurso do ex-presidente petista, Tarso Genro, no espaço nacional em cadeia de rádio e TV, concedido pela legislação eleitoral, na noite de quinta.
Na manifestação dos sindicalistas, foi possível ouvir declarações como a do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijoó, que simpatiza com o PT mas nunca foi filiado, mas defende o "revigoramento da vida partidária".
- Sempre estive na militância sindical, ajudei a construir o partido, mas nunca achei que fosse preciso ser filiado. Hoje, quando sofremos os ataques que estamos sofrendo, e que pessoas resolvem sair do partido, eu decide entrar. Este não é o momento de sair. É o momento de ajudar a reconstruir - disse Feijoó.
Pela direção do PT, estavam Ricardo Berzoini, presidente; Raul Pont; secretário-geral; Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais; Tarso Genro, ex-presidente; e Markus Sokol, integrante do Diretório Nacional. Após a manifestação, os sindicalistas caminharam até a sede nacional do PT e entregaram à Berzoini, na porta do partido, as 220 novas filiações.
- É uma alegria receber estas fichas no dia em que se comemora três anos da eleição do presidente Lula, no dia em que o próprio presidente faz aniversário e no dia em que vai ao ar o programa de TV do PT, que mostra o sucesso do PED (Processo de Eleições Diretas) e as grandes realizações do nosso governo. É um dia mais do que simbólico. O PT constrói a sua força de baixo para cima. É essa base popular que vai garantir a reeleição do presidente Lula em 2006 e a vitória dos trabalhadores - afirmou.
Estratégia de guerra
Para Ricardo Berzoini, o momento é estratégico para o debate da necessidade de um enfrentamento maior ao PSDB e ao PFL. O tema entrou na lista de debates durante o primeiro encontro da nova Executiva Nacional, nesta sexta. O encontro começou pela manhã.
- A proposta de ofensiva é uma discussão muito forte dentro do PT e nós precisamos definir a posição do partido - disse Berzoini.
Os primeiros sinais da escalada no enfrentamento político entre as legendas começou no programa de rádio e TV desta quinta-feira à noite. O PT comparou os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com números positivos para o atual Executivo. Ex-presidente do PT, Tarso Genro ampliou os ataques ao PSDB ao afirmar que o governo de FHC levou a economia brasileira à bancarrota, enquanto orientava uma "Operação Abafa" nas investigação sobre compras de voto para aprovação da emenda que o permitiu concorrer à reeleição em 1998.
- Não vamos nos iludir com muitos daqueles que nos atacam. Se o seu propósito fosse combater a corrupção, já teriam feito isso nos seus próprios governos. São os mesmo que não deixaram investigar as privatizações selvagens e a escandalosa compra de votos para emenda da reeleição no governo Fernando Henrique Cardoso. São os mesmos que privatizaram o Brasil e quebraram completamente a nossa economia. Querem voltar ao poder, e para isso apostam no quanto pior melhor. Estão inconformados, porque com o governo do PT o Brasil pode dar certo, e já começa a dar certo, à medida que retomamos o crescimento da economia, conquistamos