O deputado petista Walter Pinheiro (BA) disse nesta sexta-feira que a esquerda do partido não deverá apoiar a sugestão de liberar a legenda aos parlamentares que renunciarem ao mandato para evitar uma possível cassação. Isso serviria para que esses deputados pudessem disputar as eleições de 2006.
- Aqueles deputados, que porventura, renunciarem aos mandatos, vamos defender que o Partido dos Trabalhadores não libere a legenda - afirmou.
A Mesa Diretora da Casa vai analisar o relatório da Corregedoria que pode resultar em abertura de processos contra 16 parlamentares por quebra de decoro parlamentar. Entre eles, sete deputados pretencem ao PT. Ele acrescentou:
- Não participamos de nenhum acordo em relação à legenda. O presidente do partido, Tarso Genro, já se posicionou e verbalizou que a atitude da renúncia não estaria, de forma nenhuma, sendo utilizada como salvo-conduto e nem, tampouco, como garantia para questão de legenda partidária.
Walter Pinheiro fez as declarações ao chegar para a reunião da bancada petista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. A esquerda do PT tem 13 deputados.
Sem discussão
Já o deputado Paulo Rocha (PT- SP), que também participou da reunião com o presidente, afirma que não há discussão sobre renúncia para evitar a possível perda de mandato com a eventual abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. A Mesa Diretora da Câmara decide na próxima terça-feira se encaminha o processo de cassação de 16 parlamentares para o Conselho de Ética.
- Ao fazer um julgamento em bloco, ele (Conselho de Ética) certamente cometerá injustiças. Não tem discussão de renúncia, não está admitido renúncia até porque a solução do problema ainda não está definida pela Mesa - acrescentou.
Paulo Rocha afirmou que a decisão sobre o encaminhamento do processo de cassação de 16 deputados suspeitos de envolvimento no mensalão é política.
- Nenhum fórum deu o tratamento adequado para a questão - disse.
Os deputados petistas José Mentor (SP) e Professor Luizinho (SP), que também podem sofrer processo de cassação, não cogitam a renúncia.
- Não renuncio, não há essa hipótese. Não tenho culpa, não cometi nenhum ato ilícito. Sou inocente e vou provar minha inocência - disse Luizinho.
Os três parlamentares participaram da reunião da bancada petista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.