Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Peter Fonda leva ar de "Easy Ryder" e lembra Hollywood rebelde

Segunda, 09 de Fevereiro de 2004 às 19:14, por: CdB

Peter Fonda levou ares de "Easy Ryder" ao Festival Internacional de Cinema de Berlim para lembrar a Hollywood de espírito rebelde a qual a Berlinale dedica uma retrospectiva neste ano.

"Só Dennis Hopper poderia dirigir um filme como Easy Ryder", disse hoje, segunda-feira, em entrevista coletiva um Fonda de dentes branquíssimos e óculos escuros do igualmente mítico "road movie" do filme, rodado em 1969.

"Foi o ano de Woodstock, da explosão do flower-power... Dos hippies com seus vestidos, suas flores, sua música... Envolveram tudo e arrastaram todos", prosseguiu o ator americano.

Apesar esse ar de rebeldia, Fonda confessou ter se inspirado no trabalho de seu pai, Henry Fonda, e assegurou que o resto lhe foi passado pelo próprio espírito de Hopper.

"Easy Rider" é um dos 60 filmes incluídos na retrospectiva "New Hollywood 1967-1976 Trouble in Wonderland", ciclo que pretende refletir esses turbulentos anos, em que a fábrica de sonhos foi sacudida por ares de rebeldia.

Junto ao "road movie" de Hopper são apresentadas filmes como "Bonnie and Clyde", "Taxi Driver", "Cisco pike", "Chinatown" e "The French Connection", que simbolizam esses dez anos.

A retrospectiva pretende ilustrar a transição da Hollywood clássica à denominadda "new Hollywood", nascida da crise de identidade dos finais dos anos sessenta e acrescentada pelo trauma do Vietnã.

Fonda estava acompanhado de quatro amigos de sua geração para defender este tema: Peter Davis, representante do cinema politicamente crítico com "Hearts and minds" (1974); Melvin van Peebles, diretor do clássico do "black power "Swett sweettback's baadasss song" (1970); William Greaves, autor de "Symbiopsychotaxiplasm", e Monte Hellman, especialista em "road movies".

"Quando estive no Vietnã, em 72, a guerra já era a mais longa dos EUA. Comecei a pensar o que levava os EUA a essa guerra, a me perguntar o por que da guerra. Algo que os jornalistas americanos não fazem hoje em dia", lamentou Davis.

Hellmann estava menos transcendente e aproveitou para fazer uma proposta de casamento: "Estou procurando a mãe dos meus próximos cinco filhos. Se alguém a vir, estou em meu hotel".

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