Lula e Dilma integram uma aliança formada 'para transformar a realidade brasileira ao longo das próximas décadas', afirma interlocutor de ambos
A produção industrial brasileira iniciou o segundo trimestre do ano ainda mostrando contração, com recuo de 0,3% em abril, afetada principalmente pelos bens de consumo duráveis e num sinal de que a atividade econômica do país terá dificuldade para se recuperar. Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, este fato, aliado à queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, no primeiro trimestre, trata-se de um reflexo do "péssimo humor empresarial". O PIB teve expansão de 0,2% no primeiro trimestre deste ano, sobre o quarto trimestre de 2013, e somou R$ 1,204 trilhão, de acordo com o resultado das Contas Nacionais divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No quarto trimestre de 2013, o PIB cresceu 0,4%, dado revisado de uma alta de 0,7%.
Em recente encontro com a presidenta Dilma Rousseff, em Belo Horizonte, Lula reconheceu que ela tem se esforçado para recompor pontes com o empresariado, mas cobrou mais:
– A avaliação é que dá tempo de reverter, não totalmente, mas o suficiente para quebrar esse aparente consenso contra ela.
De volta à Brasília, o ex-presidente recomendou à Dilma relacionar o desempenho do país com a economia mundial que não vai bem e evitar de discutir o tema com adversários.
Indústria lenta
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial caiu 5,8%, queda mais forte desde setembro de 2009 (-7,3%), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Os números de abril ficaram em linha com o esperado em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters, cujas medianas apontavam queda de 0,3% na base mensal e de 5,8% sobre um ano antes. Em março, o setor já havia registrado queda, de 0,5% na comparação mensal, segundo dados que não foram revisados.
"O setor industrial, em abril de 2014, volta a mostrar um quadro de menor ritmo produtivo, expresso não só no segundo mês seguido de queda, mas também no predomínio de taxas negativas", destacou o IBGE em nota.O destaque para o desempenho de abril foi o segmento Bens de Consumo Duráveis, que recuou 1,6% ante março e 12% na comparação anual. Entre os ramos de atividade, o IBGE informou que 12 dos 24 pesquisados tiveram queda mensal em abril, sendo as principais influências negativas metalurgia (-2,7%), produtos de minerais não-metálicos (-1,5%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-1,6%).
O mau desempenho da indústria foi um dos principais pesos sobre a economia brasileira no primeiro trimestre, levando-a a desacelerar o crescimento para apenas 0,2% sobre os três meses anteriores. O setor vem convivendo com níveis bastante baixos de confiança e as perspectivas não indicam melhora. Somente em maio o Índice de Confiança da Indústria (ICI) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 5,1%, enquanto o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou que a contração da atividade se aprofundou. A pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa de economistas é que a indústria tenha expansão de 1,24% em 2014, contra 1,5% para a economia como um todo.
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