Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Pesquisas mostram que anabolizantes não melhoram desempenho na atividade física

Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 18:19, por: CdB

Aqueles que insistem em malhar com a força de aditivos têm agora mais uma boa chance para deixar isso de lado. Duas pesquisas feitas no Brasil provaram cientificamente que o anabolizante e a creatina não melhoram o desempenho na atividade física, apesar de aumentarem a força dos músculos.

O primeiro estudo, coordenado pelo Instituto do Coração (Incor), com a colaboração do laboratório de Bioquímica da Atividade Motora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), provou que em quatro meses o anabolizante potencializa em 40% o enrijecimento do ventrículo esquerdo - a bomba mais poderosa do coração, responsável por mandar o sangue oxigenado para todo o corpo - em relação a quem só faz musculação. Com o enrijecimento do ventrículo - fenômeno chamado de hipertrofia cardíaca -, o trabalho de contração e relaxamento do coração fica prejudicado, fato que diminui a capacidade física.

"É uma bobagem consumir anabolizantes achando que ele melhora a performance", explica Janieire Nunes, coordenadora da pesquisa. "Eles aumentam o volume dos músculos e seriam eficazes para provas imediatas, de curtíssimo prazo. Para mudar o tamanho dos músculos sem aditivos é preciso, no mínimo, seis meses de atividade física dirigida."

O experimento foi feito em 28 camundongos. Cada um ingeriu 5 miligramas por quilo, duas vezes por semana, do anabolizante nandrolona. A quantidade é equivalente a uma dose de 50 mg por quilo em humanos.

Durante dois anos, os animais levantaram pesos proporcionais a 80% da força máxima que o corpo é capaz de erguer. Terminado o trabalho, os pesquisadores sacrificaram os camundongos para pesar seus corações e fazer análises bioquímicas deles.

Arritmia - A longo prazo (a partir de um ano), o resultado mostrou que a mistura de anabolizante com a musculação também pode ser perigosa e prejudicar o desempenho. O estudo indicou que quem consome anabolizante e faz musculação por mais de um ano tem três vezes mais chance de sofrer de arritmia (alteração dos batimentos cardíacos) em relação a quem só faz ginástica.

Na pesquisa, os batimentos depois de um ano chegaram a 200 por minuto, enquanto a freqüência considerada normal fica entre 60 e 100 por minuto.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os anabolizantes, sejam de origem animal ou sintética, só podem ser vendidos com receita médica de duas vias e para fins terapêuticos. Ou seja, uma delas fica retida na farmácia. O nandrolona, anabolizante utilizado do estudo do Incor, é derivado do hormônio masculino testosterona, substância usada ilegalmente na engorda de gado. Ele é comercializado com o nome de Deca Durabolin.

Mesmo sob regulamentação, muitos o consomem indiscriminadamente. Basta lembrar das histórias no ano passado de jovens que tiveram falência do coração, dos rins e dos pulmões depois de terem consumido altas doses do produto com o objetivo de ganhar massa muscular. O primeiro e mais famoso deles foi o do estudante Jackson Vieira de Souza, de Padre Bernardo, município goiano no entorno de Brasília, morto em setembro depois de ter injetado 25 mg de nandrolona em cada braço.

Mais: pesquisa feita em dezembro pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com 2.219 estudantes e divulgada pelo Estado indicou que 2,39% dos adolescentes com idade de 14 a 18 anos usam anabolizantes para ganhar massa muscular. O próximo passo da pesquisadora é concluir a pesquisa com humanos.

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