O suspense em torno da definição da eleição presidencial brasileira vai durar até quase o final da apuração dos votos no domingo. Pesquisas divulgadas neste sábado não trouxeram números conclusivos sobre se haverá segundo turno ou se a candidata do PT, Dilma Rousseff, será eleita nesta primeira rodada. Segundo o Datafolha, Dilma tem 50 por cento dos votos válidos, José Serra (PSDB) aparece com 31 por cento e Marina Silva (PV), 17 por cento. Os demais candidatos somados chegam a 2 por cento. O Ibope mostrou números bastante parecidos: Dilma com 51 por cento, Serra com 31 por cento, Marina com 17 por cento e os demais somados com 1 por cento. Para ser eleito no primeiro turno um candidato precisa ter 50 por cento mais um dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Como a margem de erro das duas pesquisas é de 2 pontos percentuais, não é possível afirmar se a eleição irá ou não para o segundo turno. Embalada pela alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bom desempenho da economia, Dilma disparou na corrida presidencial em agosto. Mas ela viu suas chances de vencer no primeiro turno diminuírem depois do escândalo envolvendo suas ex-auxiliar Erenice Guerra na Casa Civil. Antes disso, a candidata petista havia sofrido pouco desgaste com outro escândalo, o da quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas a Serra. Também pesou, contra o anterior favoritismo de vitória no domingo da petista, o fôlego que Marina obteve na reta final da campanha, beneficiada com a migração de antigos eleitores petistas desiludidos com os escândalos. Outro fator que pode ter contribuído para o avanço de Marina, que é evangélica, foram os ataques de religiosos contra Dilma no que se refere à questão do aborto, entre outros temas. Apesar da reação tardia, a candidata do PV comemorou ter conseguido romper a lógica de polarização entre Dilma e Serra. "O ponto positivo é que quebramos o plebiscito e agora existe um processo político", disse Marina a jornalistas após carreata no Rio de Janeiro. Já Dilma lamentava o que classificou de "mentiras sorrateiras" durante a disputa. "Nessa campanha, em alguns momentos, houve mentiras sorrateiras, lá do baixo mundo da política", disse a jornalistas, antes de participar de ato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, berço político do seu maior cabo eleitoral. Quando vieram a público as quebras de sigilo fiscais, a coalizão de Serra acusou a campanha de Dilma e o PT de serem os responsáveis. Mas neste sábado, animado com a perspectiva de segundo turno, depois de passar semanas diante do que parecia uma derrota humilhante no domingo, Serra procurou evitar polêmicas. "Por todo o lado, eu encontrei muita confiança e muita esperança no Brasil. O Brasil não tem cor vermelha, não tem cor verde, não tem cor azul. O Brasil é multicolorido. O Brasil não tem dono. Na verdade a onda desta eleição é verde e amarela. Vamos então para o segundo turno para o bem do nosso país", disse Serra a jornalistas em São Paulo. Os eleitores terão das 8h às 17h para votar. A expectativa é de que poucas horas depois de as urnas serem fechadas, o Tribunal Superior Eleitoral diga se o Brasil já tem um novo presidente ou se vai precisar esperar mais quatro semanas conhecer o sucessor de Lula.
Pesquisas mantêm suspense sobre se novo presidente surge domingo
O suspense em torno da definição da eleição presidencial brasileira vai durar até quase o final da apuração dos votos no domingo. Pesquisas divulgadas neste sábado não trouxeram números conclusivos sobre se haverá segundo turno ou se a candidata do PT, Dilma Rousseff, será eleita nesta primeira rodada.
Sábado, 02 de Outubro de 2010 às 21:12, por: CdB