Quase 73% dos universitários no Brasil são brancos, enquanto negros correspondem a menos de 4%. Estes são dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) sobre o ensino superior nas universidades federais e particulares do país entre os anos 2000 e 2003. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, é baseada no questionário socioeconômico do Exame Nacional de Cursos e em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, e diferencia-se da pesquisa divulgada recentemente pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace).
A pesquisa da Fonaprace, consolidada pela Universidade de Brasília (Unb), ouviu 33.958 alunos matriculados em instituições públicas no segundo semestre de 2003 e no primeiro de 2004. Ela mostra que o número de brancos no ensino superior corresponde a 59,4% da população, pardos a 35,1% e que a presença de negros chega a quase 9%.
Para o presidente do Inep, Eliezer Pacheco, os dados da Unb apresentam falhas. "Eles analisaram apenas 30 mil estudantes, o que é um número muito pequeno, pois há cerca de 500 mil só nas federais". Disse, ainda, que foi reforçado um discurso elitista: "a cor das universidades brasileiras ainda é branca, o que é uma forma de manter uma elite que não corresponde à identidade do conjunto da nossa sociedade".
Ele afirma que 41% dos universitários do ensino superior particular e público são oriundos das classes sociais C, D e E, que representam 70% da população. A pesquisa do Fonaprace sobre as universidades públicas federais, no entanto, revelou que a maioria dos estudantes tem renda familiar de até R$ 2.804.
A pesquisa do Instituto mostra que entre 2000 e 2003 a população branca nas universidades diminuiu 7%, enquanto que a de negros cresceu 1,4% e a de pardos 7%. Para Pacheco, será preciso mais tempo para que as universidades incluam maior quantidade de negros e mulatos. "Embora haja elevação dessa população, ela se dá de forma lenta, na média de 0.8% ao ano. Nessa marcha, precisaríamos de 20 anos para que esse grupo ingressasse nas universidades no mesmo percentual existente na população brasileira".
As duas pesquisas apontam que mulheres continuam sendo maioria nas universidades, sendo que os dados da Unb mostram que o sexo feminino corresponde a 53,2% dos matriculados nas federais contra 46,8% dos homens. Mas o número de mulheres que incluem o corpo docente das universidades, segundo Pacheco, ainda é minoria.
Pesquisas divergem sobre número de negros nas universidades
Quarta, 16 de Março de 2005 às 17:49, por: CdB