Uma série de pesquisas divulgadas na quarta-feira, na Venezuela, apontam para a vitória do governo no referendo marcado para o início de dezembro, com o objetivo principal de permitir a reeleição presidencial por um número ilimitado de vezes. Algumas medidas previstas na reforma constitucional, porém, incomodam a maioria dos venezuelanos, segundo essas mesmas pesquisas. O favoritismo mostra a força do apoio popular a Chávez, no poder há oito anos e ele afirma que as reformas irão aprofundar o "socialismo boliviariano".
Chávez deverá vencer o plebiscito, segundo a maioria das opiniões, graças ao baixo comparecimento da oposição, à popularidade do presidente, ao uso da máquina do governo e a alterações que agradam a maioria dos eleitores, como a redução da jornada de trabalho.
– O presidente começou esta curta campanha sem uma maioria clara. Mas a opinião pública geral é uma coisa, e outra é a opinião das pessoas que vão votar de verdade – disse a jornalistas Saúl Cabrera, da empresa Consultores 21. Ele acrescentou que a vantagem de Chávez está em cerca de 10 pontos percentuais.
Entidades estudantis, partidos de oposição e líderes religiosos de direita garantem que Chávez governa de forma autoritária ao propor o controle das reservas internacionais do país, privilegiar amigos em detrimento de autoridades regionais eletivas e censurar a imprensa em caso de "emergência". As pesquisas mostram que até mesmo muitos venezuelanos que normalmente votam em Chávez têm pouco apetite por essas grandes mudanças.
Segundo Chávez, as 69 emendas constitucionais a serem votadas como pacote vão ampliar os poderes populares, por permitir que as comunidades administrem bilhões de dólares em projetos de saneamento, estradas ou eletrificação, por exemplo. O presidente também dá ênfase à ampliação dos direitos das donas de casa, empregadas domésticas e ambulantes, e à criação de 150 mil empregos por causa da redução da jornada de trabalho.
Apesar disso, Chávez, que admite seu desejo de passar décadas no poder, está ciente de que desta vez seu apoio popular é menor.
– Minha mensagem a todos é que tentemos traduzir o altíssimo nível de apoio ao presidente em apoio à reforma constitucional. Quem votar 'não' está votando contra Chávez, quem votar 'sim' está votando em Chávez – diz o presidente do país vizinho.