Os israelenses votaram, nesta terça-feira, em uma eleição tida como um referendo sobre o plano de imposição das fronteiras finais de Israel caso o processo de paz com os palestinos continue paralisado, esse plano prevê a desocupação de alguns assentamentos da Cisjordânia e a consolidação de outros. O primeiro-ministro interino do país, Ehud Olmert, cujo partido Kadima (centro) deve vencer o pleito, pretende agir unilateralmente e desmantelar algumas colônias isoladas até 2010, levando milhares de colonos para os grandes blocos de assentamento construídos em um território ocupado no qual os palestinos desejam fundar um Estado.
Cerca de 20 mil policiais e voluntários estavam em patrulha na terça-feira, à procura de homens-bomba palestinos, enquanto os israelenses votavam. No sul de Israel, dois pastores árabes com cidadania israelense foram mortos em um suposto ataque de foguete realizado a partir da Faixa de Gaza, disseram funcionários de um hospital. O Exército disse investigar se o foguete havia sido disparado na terça-feira ou se estava no local e acabou sendo detonado pelos pastores.
Pesquisas de opinião mostram que o Kadima conquistará algo em torno de 34 cadeiras no Parlamento de 120 membros, formando uma bancada suficiente para liderar uma coalizão de governo. O primeiro-ministro Ariel Sharon fundou a legenda em novembro passado antes de sofrer um derrame e entrar em coma. O unilateralismo é uma proposta simpática a muitos israelenses cansados dos cinco anos de levante palestino e preocupados com o aumento do poder do Hamas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O grupo militante venceu as eleições palestinas de janeiro.
- Sou favorável a algumas retiradas. Espero que não haja mais guerras - disse Tovah Weiss, mulher idosa de Jerusalém que afirmou ter votado no Kadima.
Os israelenses foram às urnas um dia depois de o Hamas ter apresentado ao Parlamento palestino, para ser aprovado, seu gabinete de governo, sem dar sinais de que mudará sua postura em relação a Israel. O grupo defende a destruição do Estado judaico. Para Olmert, a vitória significaria um sinal verde para seu plano de "consolidação", o termo usado por ele para referir-se à imposição unilateral de uma fronteira se o Hamas não reconhecer o direito de existir de Israel, não se desarmar e não aceitar os acordos de paz interinos.
A Corte Mundial decidiu que todos os assentamentos são ilegais. Israel discorda desse veredicto.
- Essas eleições vão determinar o caráter do Estado, suas fronteiras e sua identidade moral - afirmou Shimon Peres, tradicional estadista do país e candidato pelo Kadima.
Para os palestinos, a proposta de Olmert destruirá qualquer possibilidade de paz e lhes negará a chance de fundar um Estado viável porque tornará definitiva a ocupação de terras invadidas por Israel na guerra de 1967. Uma autoridade do Hamas afirmou que os grandes partidos políticos do Estado judaico eram hostis aos palestinos.
- Vamos enfrentar qualquer tipo de resultado dessa eleição unindo-nos contra o ocupante e contra a agressão israelenses, de todas as formas possíveis - disse o parlamentar Mushir Al Masri.
Trauma
O trauma sofrido por colonos judeus tirados de terras que consideram suas por direito bíblico pode ser muito maior em relação à Cisjordânia do que foi em relação à Faixa de Gaza, desocupada durante o governo de Sharon, no ano passado. Cerca de 60 mil colonos da Cisjordânia poderiam ser afetados pelo plano de Olmert, uma cifra muito maior que os 8.500 tirados da Faixa de Gaza. Cerca de 240 mil israelenses moram ao lado de 2,4 milhões de palestinos na Cisjordânia.
Direitistas do país dizem que a retirada de alguns assentamentos seria uma recompensa e um encorajamento para a violência palestina.
Pesquisas de opinião publicadas ao final de um período relativamente morno de campanha mostraram o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, em segundo lugar, c