Seis praias do Rio (Grumari, Macumba, Barra, Copacabana, Ipanema e Leblon) estão sendo estudadas pelo Grupo de Pesquisa em Oceanografia Geológica (GPOG) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo é avaliar e propor soluções para os efeitos da erosão costeira, quantidade de areia (sedimentos) que as praias perdem para o mar, com o passar do tempo. O fenômeno é natural, sazonal e deveria ocorrer gradativamente, sem afetar o equilíbrio sedimentar. No entanto, obras de engenharia costeira equivocadas e o aumento no nível do mar, potencializado pelo aquecimento global, estão agravando o problema.
De acordo com pesquisadores da universidade estadual, as principais praias na cidade do Rio que sofrem com o problema de erosão são Copacabana e o trecho Leblon-Arpoador. Na primeira, o ponto crítico é nas proximidades dos postos cinco e seis. As ondas batem nos costões dos Fortes do Leme e de Copacabana e avançam sobre a praia, provocando a diminuição da faixa de areia.
Já no trecho Leme-Arpoador, o problema se agrava pela intervenção humana: há um déficit aproximado de um milhão de metros cúbicos de sedimentos, retirado, ao longo de décadas, do Canal do Jardim de Alah, que faz ligação entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar. Com isso, quando as ondulações estão de sudoeste para leste, há um acúmulo de areia no Arpoador e conseqüente perda no Leblon e vice-versa.
Para evitar que danos maiores atinjam as praias da cidade do Rio, o Grupo de Pesquisa em Oceanografia Geológica da Uerj desenvolveu uma técnica de monitoramento pioneira e de baixo custo, que consegue avaliar, em apenas um ano, se um determinado local possui tendência à perda ou à deposição de areia. O método clássico leva no mínimo cinco anos para ser realizado.
A identificação da erosão permite que os especialistas busquem alternativas para minimizar os efeitos da natureza potencializados pela ação humana.
Segundo o professor Marcelo Sperle, coordenador do GPOG, em locais onde haja déficit de areia, é possível buscar em alto-mar, sedimentos com as mesmas características para repor na praia, processo conhecido como "engorda".
Em outros casos, pode-se fazer um fundo artificial para que as ondas quebrem antes de chegar à praia. Uma alternativa é alargar a faixa de areia da praia, modificando a sua inclinação, o que interfere na dinâmica das ondas.
- Em último caso, após estudos oceanográficos, é possível recorrer a obras de engenharia costeira, como os quebra-mares e moles, por exemplo, para absorver o impacto das ondas. Contudo, cada caso deve ser estudado minuciosamente, a partir das causas da erosão, para que não se resolva um problema aqui e se crie outro, mais adiante - explicou.