Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Pesquisadores da Uerj analisam erosão nas praias do Rio

Seis praias do Rio estão sendo estudadas pelo Grupo de Pesquisa em Oceanografia Geológica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O objetivo é avaliar e propor soluções para os efeitos da erosão costeira, quantidade de areia (sedimentos) que as praias perdem para o mar, com o passar do tempo. (Leia Mais)

Sábado, 26 de Maio de 2007 às 08:39, por: CdB

Seis praias do Rio (Grumari, Macumba, Barra, Copacabana, Ipanema e Leblon) estão sendo estudadas pelo Grupo de Pesquisa em Oceanografia Geológica (GPOG) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo é avaliar e propor soluções para os efeitos da erosão costeira, quantidade de areia (sedimentos) que as praias perdem para o mar, com o passar do tempo. O fenômeno é natural, sazonal e deveria ocorrer gradativamente, sem afetar o equilíbrio sedimentar. No entanto, obras de engenharia costeira equivocadas e o aumento no nível do mar, potencializado pelo aquecimento global, estão agravando o problema.

De acordo com pesquisadores da universidade estadual, as principais praias na cidade do Rio que sofrem com o problema de erosão são Copacabana e o trecho Leblon-Arpoador. Na primeira, o ponto crítico é nas proximidades dos postos cinco e seis. As ondas batem nos costões dos Fortes do Leme e de Copacabana e avançam sobre a praia, provocando a diminuição da faixa de areia.

Já no trecho Leme-Arpoador, o problema se agrava pela intervenção humana: há um déficit aproximado de um milhão de metros cúbicos de sedimentos, retirado, ao longo de décadas, do Canal do Jardim de Alah, que faz ligação entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar. Com isso, quando as ondulações estão de sudoeste para leste, há um acúmulo de areia no Arpoador e conseqüente perda no Leblon e vice-versa.

Para evitar que danos maiores atinjam as praias da cidade do Rio, o Grupo de Pesquisa em Oceanografia Geológica da Uerj desenvolveu uma técnica de monitoramento pioneira e de baixo custo, que consegue avaliar, em apenas um ano, se um determinado local possui tendência à perda ou à deposição de areia. O método clássico leva no mínimo cinco anos para ser realizado.

A identificação da erosão permite que os especialistas busquem alternativas para minimizar os efeitos da natureza potencializados pela ação humana.

Segundo o professor Marcelo Sperle, coordenador do GPOG, em locais onde haja déficit de areia, é possível buscar em alto-mar, sedimentos com as mesmas características para repor na praia, processo conhecido como "engorda".

Em outros casos, pode-se fazer um fundo artificial para que as ondas quebrem antes de chegar à praia. Uma alternativa é alargar a faixa de areia da praia, modificando a sua inclinação, o que interfere na dinâmica das ondas.

- Em último caso, após estudos oceanográficos, é possível recorrer a obras de engenharia costeira, como os quebra-mares e moles, por exemplo, para absorver o impacto das ondas. Contudo, cada caso deve ser estudado minuciosamente, a partir das causas da erosão, para que não se resolva um problema aqui e se crie outro, mais adiante - explicou.

Tags:
Edições digital e impressa